18 Abril 2026 | AutoData EVENTO AUTODATA » CONGRESSO MEGATENDÊNCIAS 2026 e ausência de condições competitivas isonômicas que países como China e Estados Unidos garantem às suas fabricantes de veículos foram os fatores expostos por Dan Ioschpe, vice-presidente da Fiesp e chairman do Grupo Iochpe-Maxion, para diagnosticar a fragilidade competitiva da indústria automotiva brasileira. Ele aponta que 80% do chamado custo-Brasil se concentra em dois fatores: tributação e custo financeiro. Ioschpe classificou como erro histórico o abandono da produção de semicondutores e alertou que deixar de desenvolver a indústria de baterias é um erro equivalente, dado o tamanho do mercado brasileiro e sua distância dos grandes centros produtores globais. Em meio à turbulência geopolítica – com a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã elevando as tensões já criadas pelo tarifaço estadunidense e a Selic em 14,75% ao ano resistindo à expectativa de queda maior – há oportunidades para o Brasil aproveitar. A leitura é de Ricardo Roa, líder do Setor Automotivo da KPMG no Brasil, que identifica na matriz energética renovável um diferencial competitivo relevante. Roa faz uma distinção importante com relação à crise dos chips, em 2021 e 2022: “A grande diferença, desta vez, é que não somos totalmente reféns. Mas temos de manter a atenção”. ACORDO COM A EUROPA O impacto do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia sobre a indústria automotiva brasileira será mais gradual do que disruptivo, com oportunidades concentradas principalmente em exportações e cadeias globais de valor, segundo expôs Michael Münch, sócio da Mirow & Co. Após 26 anos de negociações o acordo está em fase de adoção, mas ainda há risco residual de reversão pelo Parlamento Europeu ou pela Corte de Justiça da União Europeia. Ainda faltam implementações administrativas dos dois lados. Para veículos a combustão a relevância do acordo é limitada no curto prazo: as tarifas seguem em 35% por seis anos, período após o qual a Europa já estará em fase de saída do motor a combustão. Para os veículos elétricos haverá redução tarifária mais rápida para os europeus, mas mesmo assim o carro europeu importado, aqui, ainda custará de 30% a 40% a mais do que na Europa, o que afasta o risco de uma avalanche de importações. Münch garante que “a localização continuará a ter papel muito importante”. O maior potencial, na avaliação do especialista, está no reposicionamento do Brasil nas cadeias globais de valor e no aproveitamento da posição do País como potencial líder em tecnologias de baixo carbono e biocombustíveis. Ricardo Roa, da KPMG, e Leandro Alves, de AutoData Michael Münch, da Mirow & Co
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