25 AutoData | Abril 2026 O Hyundai Nexo na estação da USP para abastecimento com hidrogênio extraído de etanol operação de vários projetos importantes, é de que o mercado global de hidrogênio esteja avaliado este ano em US$ 226 bilhões, um recorde. No Brasil o volume de investimentos para projetos de hidrogênio, ou H2, e derivados – como a amônia verde, base para a produção de fertilizantes com insumos hoje originados em muitas das zonas de conflito armado no mundo como Ucrânia, Rússia e Oriente Médio – é de R$ 454 bilhões, com R$ 64 bilhões empenhados só este ano para o início da construção de plantas em escala industrial. De acordo com a Clean Energy Latin America são mais de 110 iniciativas em diferentes estágios desde pesquisa, desenvolvimento e inovação, até licenciamento ambiental avançado para a produção de H2 no Brasil. DO ETANOL AO H2, NA USP Uma dessas iniciativas no País, com foco na total descarbonização da mobilidade, é a primeira estação de abastecimento de hidrogênio do mundo que utiliza o etanol como matéria-prima. Ela fica dentro do campus da USP, Universidade de São Paulo, em São Paulo. Este projeto inovador é coordenado pelo professor Júlio Meneghini, diretor científico do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa, RCGI, da Escola Politécnica, que recebeu investimentos de R$ 50 milhões da iniciativa privada e, também, do governo do Estado de São Paulo. Na ocasião da visita ao empreendimento pela reportagem de AutoData a usina experimental havia acabado de passar pela fase final de comissionamento, que é a calibração final de todos os equipamentos para a obtenção do H2 na especificação e pressão exigidos para a utilização nos automóveis elétricos alimentados por células de combustível: foram cedidos para o projeto um Toyota Mirai e um Hyundai Nexo, além de ônibus da Marcopolo. De acordo com o professor Meneghini “o comissionamento garantiu a especificação do hidrogênio biogênico com 99,999% de pureza, o que é essencial para Leandro Alves não danificar as membranas das células de combustível”. Este projeto demorou alguns anos para iniciar sua operação máxima, que é a obtenção de 100 kg de hidrogênio biogênico extraído do etanol, porque há muita tecnologia nacional de ponta envolvida. A estrutura física começou sua operação em 2023 e, neste período, segundo Meneghini, passou por diversos ajustes para validar toda a tecnologia: “A planta foi projetada para produzir hidrogênio a partir da reforma do etanol com vapor de água. O processo envolve basicamente a entrada de etanol, água e energia elétrica, e gera como produtos hidrogênio, CO2 biogênico e água residual”. Parece simples na descrição do professor, mas esta reforma do etanol é algo inovador. Justamente a tecnologia desta etapa do processo é resultado de pesquisa e desenvolvimento de uma empresa brasileira, a Hytron, que já foi uma startup originada por alunos da USP e recentemente adquirida pela alemã Neuman&Esser, a NEA, uma das poucas empresas globais que oferecem quase todas as tecnologias para gerar, comprimir e transportar hidrogênio. A magia da ciência ocorre na parte central da planta, quando água e etanol ainda em estado líquido chegam ao reformador. Neste reator o etanol entra em contato com vapor d’água, que em am-
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=