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26 Abril 2026 | AutoData BIOTRANSIÇÃO » HIDROGÊNIO biente aquecido entram em contato com catalisadores, promovendo uma reação eletroquímica. Esta é uma tecnologia mais acessível do que a obtenção de hidrogênio por eletrólise porque o balanço energético – a quantidade de energia utilizada nos processos – é melhor. Ainda sob o manto de segredo industrial em desenvolvimento, durante a visita ao interior da planta não foi permitido registrar em foto ou vídeo esses equipamentos. VANTAGENS A esta altura é de se perguntar: qual a vantagem de se obter um combustível livre de CO2 como o hidrogênio a partir de outro combustível mais limpo do que a gasolina e já disponível em larga escala no Brasil como é o etanol? São várias as vantagens para o País. A primeira é que todos os processos necessitam de bastante energia para reformar qualquer matriz energética como o etanol, a água na reação por eletrólise e o metano fóssil, muito utilizado em outros países em usinas de H2. O Brasil, com sua invejável capacidade de geração de energia limpa de hidrelétrica, solar e eólica, reduz não só o preço mas a pegada de carbono do processo todo. Além disto a maior vantagem é a ampla produção e distribuição de etanol em território nacional. O posto experimental de abastecimento na USP pode ser replicado do tamanho de um contêiner ao lado das bombas dos postos de combustível espalhados pelo País, oferecendo H2 rapidamente para frotas de carros ou caminhões – os veículos pesados são os que mais necessitam de uma tecnologia de descarbonização que seja acessível nas rotas do transporte e que tenha menos impacto em seu custo de operação. Há ainda os ônibus, que podem utilizar o mesmo contêiner nas garagens que já possuem bombas para abastecimento da frota. Para os veículos comerciais, portanto, pode haver uma alternativa imediata à eletrificação pura, que carece de infraestrutura e carrega o peso adicional das baterias em vez de carga em seu custo operacional. Mas não é só: o professor Meneghini observa outras possibilidades inovadoras. Já no fim da visita ele apontou para um cano no alto, que liberava algo invisível, e disse: “Olha só ali, a gente vai capturar aquilo, que é o CO2 biogênico [um subproduto da extração do H2 do etanol]. Com isto o hidrogênio gerado a partir do etanol pode ter até uma pegada negativa. Que coisa louca: um hidrogênio de pegada negativa, coisa que nem usinas solares e ou a eólicas conseguem”. O CO2 biogênico tem esse nome porque ele pode ser absorvido novamente pela planta, no caso a cana-de-açúcar ou o milho, principais fontes do etanol no País. Mas há ainda mais vantagens: capturando esse gás invisível é possível reintroduzi-lo na cadeia produtiva, utilizando o conceito de economia circular, gerando valor. E são várias as opções: criar hidrocarbonetos sintéticos, como o metanol, ou o SAF, combustível de aviação com carbono neutro, na indústria do cimento, grande emissora de CO2, ou ainda na indústria química e de plástico. NOVA FRONTEIRA DE NEGÓCIOS Engana-se quem imagina que a indústria automotiva esteja de olho numa Professor Júlio Meneghini (dir.), da USP, e Ricardo Martins, da Hyundai: experiência compartilhada para geração de hidrogênio extraído de etanol. Leandro Alves

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