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33 AutoData | Abril 2026 Walter Barbosa, da Mercedes-Benz: “O custo final de financiamento é de 18% a 20% ao ano. Quem aguenta isto?” Caminho da Escola, que tem um peso muito grande”. Calvet aponta que a situação do mercado de ônibus no País expõe um desequilíbrio deste segmento: “É importante a demanda pública, mas também precisamos desenvolver mecanismos para reduzir a dependência”. O desempenho mais fraco do segmento também aparece no comércio exterior. As exportações recuaram 53,4% em março na comparação anual e acumulam queda de 33,5% no trimestre. Ao mesmo tempo a produção seguiu em trajetória oposta: de janeiro a março foram fabricados 7,6 mil chassis, em alta de 5,9%, o que evidencia um descompasso de oferta com demanda. FASE DE ACOMODAÇÃO Segundo a PSR, Power Systems Research, o setor entra em 2026 em uma fase de acomodação após o ciclo de crescimento pós-pandemia. “Existe uma mudança de ciclo mais do que uma deterioração estrutural”, aponta Priscila Von Zuben Spadine, gerente de Dados e Previsões. “O patamar de atividade permanece elevado, mas há perda de tração, principalmente no mercado doméstico.” A projeção da PSR indica produção próxima de 27 mil ônibus e vendas ao redor de 22,6 mil este ano, com retração Divulgação/Mercedes-Benz moderada: “Trata-se de uma queda, mas dentro de um nível ainda alto de atividade”, diz a consultora, que estima recuo de 4% a 6% em 2026. Na avaliação de Priscila Spadine o movimento atual ainda é de acomodação: “Não se trata de negar a queda, mas de contextualizá-la dentro de um patamar elevado. O mercado de ônibus é muito cíclico e depende de fatores externos. Há uma perda de ritmo agora, mas não uma quebra estrutural”. Ao mesmo tempo a consultora chama atenção para o descompasso da produção com as vendas: “A produção vem crescendo mas não se sustenta pela demanda atual. A leitura é de formação de estoques, que devem ser absorvidos ao longo do ano”. JURO ALTO TRAVA VENDAS Na indústria o tom é de cautela. Para Walter Barbosa, vice-presidente da Mercedes-Benz do Brasil responsável pela Divisão de Ônibus, o início deste ano foge ao padrão histórico: “Normalmente o primeiro trimestre é forte para ônibus, mas este ano começou diferente, com queda de cerca de 20% nos emplacamentos”. Ele evita tratar o desempenho de março como sinal de recuperação: “Ainda não podemos dizer que houve uma virada. Fevereiro teve poucos dias úteis e o ritmo segue incerto. Precisamos acompanhar os próximos meses”. Segundo Barbosa o ambiente macroeconômico tem pesado diretamente sobre as decisões de compra: “Incertezas econômicas e políticas globais estão levando os clientes a uma postura mais cautelosa no curto prazo”. O principal entrave, porém, segue sendo o crédito caro, que desincentiva o investimento: “A taxa básica de 14,75% se traduz em custo final de financiamento de 18% a 20% ao ano. Quem aguenta isto?”, questiona. “Com este nível de juros só compra quem precisa renovar por obrigação ou assumiu um novo contrato. Esse comportamento de postergação é visível. O cliente está adiando investimentos”.

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