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35 AutoData | Abril 2026 ta: “Estes movimentos não são lineares. Ao longo do ano o mercado tende a se normalizar”. Mesmo assim a expectativa é conservadora: “Hoje trabalhamos com um cenário de estabilidade com relação a 2025”. Cortes também aponta o crédito como principal freio: “Com juros elevados a compra fica restrita a quem tem necessidade imediata. A conta simplesmente não fecha”. Ele aponta ainda que novas tecnologias dependem de incentivos: “Ônibus elétricos e a gás precisam de subsídios. Sem isso, não ganham escala”. Na Iveco Bus, como indica o diretor da divisão na América Latina, Maurício Yamamoto, o cenário é visto como um ajuste após um ciclo positivo: “O início de 2026 reflete postergação de compras, ritmo das licitações e custo elevado de crédito”. Apesar disso ele vê fundamentos preservados: “O mercado segue demandante, com necessidade de renovação de frota e modernização do transporte”. A expectativa, segundo Yamamoto, é de melhora ao longo do ano: “Com o avanço das licitações e das renovações podemos ter uma retomada gradual”. CAMINHO DA ESCOLA Nos últimos anos o desempenho mercado nacional tem sido fortemente influenciado pelas licitações de compra de ônibus escolares pelo governo federal: “O Caminho da Escola responde por cerca de 30% das vendas e segue sendo um fator relevante de sustentação”, endossa Yamamoto. Nesse sentido o mais recente alívio aconteceu em 14 de abril: após diversos adiamentos e incertezas sobre a continuidade do programa que garante faturamento aos fabricantes foi realizada a licitação de 7 mil 470 ônibus escolares pelo Ministério da Educação. Ao todo foram licitados treze tipos de veículos com preços que variam de R$ 459 mil a pouco mais de R$ 1 milhão por unidade, dependendo da configuração. A VWCO vai fornecer a maior parte dos ônibus, pois apresentou os melhores preços para 6 mil 590 unidades, ou 88,2% do volume total licitado. Marcopolo/Volare fornecerá 620 unidades e a Agrale outras 260. Portolan, diretor da Marcopolo, reafirma a importância do Caminho da Escola mas sem expectativa de impulso adicional: “O programa é essencial para manter o nível do mercado, não para expandir”. COMPASSO DE ESPERA No mercado externo a expectativa também é de fraqueza para os fabricantes de chassis e carrocerias: “Após um 2025 forte a tendência é de queda das exportações, ainda que menos intensa. Não deve ser um vetor de crescimento”, avalia Priscila Spadine, da PSR. Diante desse conjunto de fatores o consenso é que 2026 será um ano de transição: “Se tivermos redução de juros e manutenção dos programas públicos o mercado pode se sustentar em um patamar mais elevado”. Caso contrário o setor deve seguir em compasso de espera, como resume Portolan: “O potencial de crescimento existe mas depende diretamente de crédito mais acessível e de condições mais favoráveis de financiamento”. Divulgação/Mercedes-Benz

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