91 AutoData | Maio 2026 Márcio Querichelli, presidente da Iveco na América Latina Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões tábua de salvação para as montadoras, que amargam queda de 17,2% tanto nas vendas quanto na produção no acumulado dos quatro primeiros meses de 2026 com relação ao período de janeiro a abril do ano passado. Foram emplacados no quadrimestre 30,7 mil caminhões, e produzidos 35,4 mil, segundo dados da Anfavea. Mas a pergunta que não quer calar é: as contrapartidas do governo por meio do Move Brasil continuarão a contribuir para reverter a tendência de retração, que se arrasta desde 2025? No ano passado foram produzidos 124,1 mil caminhões, 12,1% abaixo dos 141,3 mil de 2024. E foram comercializadas 113,5 mil, 9,2% abaixo das 124,9 mil do ano anterior. AutoData conversou com executivos das principais fabricantes e concluiu que é consenso que, não fosse o programa, a situação estaria muito pior. No entanto ainda é esperado recuo em comparação ao ano passado. Ou seja: o Move Brasil é fundamental, mas insuficiente para reverter o cenário negativo e iniciar uma curva de crescimento. Para Márcio Querichelli, presidente da Iveco na América Latina, o Move Brasil é importante para estimular a recuperação gradual do setor em um ambiente ainda desafiador: “O programa atua diretamente sobre um dos principais gargalos do mercado, que é o acesso ao crédito. Ao ampliar prazos, melhorar condições de financiamento e aumentar o volume de recursos disponíveis o Mover ajuda a transformar Divulgação/Iveco Divulgação/Volvo a necessidade de renovação da frota em investimento efetivo”. Querichelli avalia que o cenário segue desafiador, mas mais previsível do que em 2025, uma vez que a demanda por transporte continua sólida, embora ainda limitada pelo custo do crédito e pelo ambiente macroeconômico: “A tendência é de recuperação gradual ao longo do ano, especialmente com a continuidade de programas estruturantes, como o Move Brasil, e uma melhora nas condições de financiamento. Além disto a renovação da frota traz benefícios como aumento da eficiência logística, redução de custos operacionais, melhora na segurança viária e diminuição das emissões”. Para ele para destravar o crescimento do setor é ampliar o acesso ao crédito de forma estrutural e previsível, especialmente para caminhoneiros autônomos e pequenos transportadores. O diretor executivo da Volvo Caminhões, Alcides Cavalcanti, considera que o Move Brasil está, sim, atenuando a queda do mercado. Mas o que de fato fará diferença, em sua avaliação, é uma Selic menor, adequada ao caixa dos transportadores: “No entanto ainda não vemos sinais consistentes de queda dessa taxa nos próximos meses”. Hoje os juros básicos da economia estão em 14,5% ao ano e, conforme projeção do Boletim Focus, do Banco Central, o ano terminará com taxa de 13% ao ano. Mas, diante das incertezas externas, como a volatilidade geopolítica, com conflitos
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=