36 Junho 2026 | AutoData ESTUDO » INVENTÁRIO DE EMISSÕES zero quando se considera toda a cadeia, inclusive a captação de CO2 durante o cultivo da matéria-prima.” O mesmo raciocínio se aplica ao etanol: os fatores de emissão de CO2 do etanol hidratado são de 1,51 kg por litro, enquanto os da gasolina chegam a 2,23 kg/L, diferença que se amplia quando se considera a absorção de carbono pelo cultivo da cana-de-açúcar. Franieck também critica os dados internacionais de Life Cycle Assessment utilizados como referência. “A maturidade dos dados considera o agronegócio da Europa, que no máximo faz uma colheita por ano e tem absorção solar muito menor que o nosso. É uma base que não serve para avaliarmos o que acontece aqui.” Para ele, o Brasil precisa desenvolver sua própria metodologia, nos moldes do que o Renovabio já iniciou para a cadeia dos biocombustíveis. “Precisa fazer nas nossas condições, que são únicas.” O envelhecimento da frota é outro problema que o inventário não consegue capturar adequadamente. O documento atribui notas D e E à confiabilidade dos dados sobre quilometragem real e taxa de sucateamento dos veículos mais antigos. Franieck vai além da questão estatística. “Não existe no Brasil nenhum sistema de acompanhamento da degradação das emissões dos veículos ao longo do tempo. Quando o catalisador entope, muitos motoristas optam por quebrá-lo internamente em vez de substituí-lo, devido ao custo. O carro volta a circular sem nenhum controle de emissões. Essa frota antiga, eventualmente sem catalisador, é um problema muito sério que o Brasil enfrenta”, observa o conselheiro da SAE. O POTENCIAL NÃO REALIZADO O inventário registra que, dos cerca de 45 milhões de automóveis em circulação em 2024, 75% eram flexfuel. A Anfavea eleva esse número para 76% quando considera a totalidade da frota leve. Gilberto Martins avalia que essa configuração representa uma oportunidade imediata de descarbonização ainda não aproveitada. “O etanol é um pilar estratégico nesse caminho. Estudos do ciclo de vida do poço à roda apontam redução nas emissões de CO2 equivalente em comparação à gasolina, considerando a absorção de carbono pelo cultivo da cana-de-açúcar, um diferencial que poucos países do mundo têm condições de replicar.” Mas os dados da EPE citados pela AnEmissões de RCHO (aldeídos) por tipo de combustível Divulgação Fonte: IEMA
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