37 AutoData | Junho 2026 favea são ilustrativos do problema: em fevereiro de 2026, a participação do etanol hidratado nas vendas do ciclo Otto caiu para 28,7%, ante 33,4% no mesmo período de 2025 – reflexo direto da perda de competitividade de preço. Franieck converge para esse diagnóstico do comportamento do mercado. “O fator preponderante na decisão do usuário é o preço. A gente não tem como, por decreto, fazer que alguém consuma A ou B.” Para ele, o Renovabio é um mecanismo bem construído: ao valorizar os CBios e obrigar os distribuidores de gasolina a compensar suas emissões comprando esses certificados, o programa cria condições para tornar o etanol mais competitivo. “Esse equilíbrio entre gasolina e etanol vai ser definido pela disponibilidade dos dois e pela política de preços.” Um dos pontos mais fascinantes ignorados pela narrativa oficial, mas ressaltado por Franieck, é o avanço da tecnologia Euro 6, ou Proconve P8. Segundo ele, um caminhão moderno, ao circular por uma cidade poluída por frotas antigas, pode atuar como uma “máquina de purificação de ar”. O sistema de tratamento é tão eficiente que o ar expelido pelo escapamento chega a ter menos particulados e NOx do que o ar que o motor admitiu da atmosfera urbana. Para pesados, Franieck aponta o biodiesel como a solução mais acessível e imediata. O atual blend de 15% já representa um avanço, mas o inventário não reflete esse benefício real, por não incorporar a cadeia de produção. Ele menciona a empresa B8, do Rio Grande do Sul, que desenvolveu um biodiesel bidestilado com qualidade suficiente para uso como B100 em substituição total do diesel fóssil. “Com isso, você teria uma frota de pesados sendo descarbonizada da noite para o dia, sem necessidade de adaptações nos motores, desde que mantida a qualidade adequada do combustível.” O QUE FALTA AO INVENTÁRIO O uso sistemático do sensoriamento remoto para medir emissões em condições reais de circulação pode ser uma ferramenta para melhorar o controle e o desempenho da frota. Em 2019, Gabriel Murgel Branco e uma equipe da Afeevas, Associação dos Fabricantes de Equipamentos de Controle de Emissões de Poluentes da América do Sul, realizaram uma experiência na praça de pesagem da Rodovia dos Tamoios, em Emissões de CH4 por combustível Fonte: IEMA
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