434-2026-07

15 AutoData | Julho 2026 desenvolver competitividade, aprimorar processos, elevar padrões de qualidade e cibersegurança fabril. Nos últimos dois anos montadoras chinesas ampliaram fortemente sua presença no mercado brasileiro, principalmente nos segmentos eletrificados. Esta nova concorrência mudou os planos da Toyota? A Toyota tem por princípio enxergar a concorrência como algo positivo. Quanto maior for o nível de concorrência maior será o estímulo para desenvolvermos novas tecnologias e oferecermos serviços superiores para o consumidor. O ponto fundamental que defendemos é que esta competição aconteça sempre em condições justas. Sabemos que existem assimetrias importantes nos custos de produção no Brasil se comparados com outros países, especialmente com a China. Neste contexto instrumentos regulatórios como o imposto de importação cumprem papel importante para mitigar essas assimetrias e garantir condições minimamente equilibradas. Hoje existe o debate sobre o aumento das importações de veículos e componentes. Como o Brasil pode conciliar abertura à concorrência, incorporação de novas tecnologias e preservação da capacidade industrial instalada? A abertura comercial é importante porque permite a entrada rápida de novas tecnologias globais. No entanto chega um momento em que estas mesmas tecnologias precisam começar a ser produzidas localmente para gerar valor no País. É vital encontrar um ponto de equilíbrio de importações com a produção nacional. Precisamos de um ambiente regulatório estável que estimule a introdução de novas tecnologias sustentáveis, mas que também incentive a sua nacionalização industrial assim que o mercado atingir maturidade e volume. O Brasil possui cadeia de fornecedores sólida, engenharia qualificada, um mercado relevante e vantagem competitiva na área de biocombustíveis. Precisamos preservar essas competências para que o País siga contribuindo para a mobilidade sustentável. Quando este ciclo de investimentos estiver concluído, com a reconstrução de Porto Feliz, a consolidação de Sorocaba e os novos projetos já lançados, qual legado o senhor gostaria de deixar como presidente da Toyota do Brasil? Existe uma diretriz muito importante dentro da Toyota que faz parte do nosso planejamento estratégico: contribuir ativamente para o desenvolvimento de uma indústria automotiva nacional forte, capaz de gerar riqueza e bem-estar para o País. Recentemente, durante a transição, vivi uma experiência muito marcante na unidade de Indaiatuba. Diversos colaboradores vieram conversar comigo e disseram que, depois de quase trinta anos trabalhando naquela fábrica, saíam dali pessoas completamente diferentes e muito melhores. Eles cresceram profissionalmente na carreira, evoluíram como seres humanos e, por meio do fruto do seu trabalho, conseguiram proporcionar uma vida melhor e educação de qualidade para as suas famílias. Este desenvolvimento humano é o maior legado que qualquer empresa pode deixar para a sociedade.

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=