29 AutoData | Julho 2026 Gerais como sede de uma nova operação industrial. A escolha combinava política e logística: o governo mineiro oferecia terreno institucional favorável, e a localização de Betim garantia acesso a mercados consumidores, fornecedores e corredores de transporte para uma região metropolitana que o governo pretendia industrializar de forma mais agressiva. Para a Fiat o negócio também fazia sentido como plataforma de entrada em um mercado latino-americano ainda pouco explorado. O desfecho dessas negociações veio em março de 1973, quando Giovanni Agnelli, neto do fundador da Fiat e então presidente da companhia, assinou ao lado de Rondon Pacheco o Acordo de Comunhão de Interesses da Fiat SpA com Minas Gerais. “Esta é a experiência mais importante de investimento direto da história da Fiat”, afirmaria Agnelli poucos anos depois, em discurso preparado para a inauguração da fábrica. Quatro meses depois da assinatura do acordo, a Fiat Automóveis S/A foi formalmente constituída no Brasil sob a presidência do engenheiro Adolfo Neves Martins da Costa, que anos antes havia ajudado a articular a chegada da montadora ao Estado. A construção da fábrica foi concluída em dois anos e contou com o investimento inicial de US$ 210 milhões, aporte conjunto da fabricante italiana e do governo estadual. Ainda em 1975, um ano antes da inauguração da planta, foi montado o primeiro protótipo do Fiat 147 – uma versão mais robusta e potente do 127 italiano, desenvolvido a partir de testes de campo no Brasil. A inauguração da fábrica com capacidade inicial de 150 mil veículos por ano, em 9 de julho de 1976, marcou a entrada em operação da primeira linha de produção de automóveis do Brasil fora do cinturão paulista, da única fabricante a se instalar no País exatamente vinte anos depois dos incentivos do governo federal que atraíram a indústria automotiva, na segunda metade dos anos 1950. INOVAÇÕES DESDE O PRINCÍPIO Primeiro veio a planta, depois veio o carro, que só começou a rodar comercialmente depois que a fábrica já estava de pé. O Fiat 147 foi apresentado oficialmente ao público no 10º Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 1976, com quinze unidades expostas em cores diferentes, incluindo os primeiros protótipos das versões movidas a álcool, ainda em fase de testes. O carro chegou ao mercado no mesmo novembro, trazendo um conjunto de soluções técnicas pouco usuais para o padrão nacional da época: motor transversal, pneus radiais e aproveitamento de espaço interno que a própria Fiat resume até hoje na fórmula “compacto por fora, espaçoso por dentro”. O 147 competia diretamente com o Volkswagen Fusca, que ainda dominava com folga as vendas nacionais, e com o Chevrolet Chevette, a novidade que disputava a preferência do consumidor. O modelo da Fiat veio embolar essa disputa com o argumento de economia de combustível e praticidade urbana, com um pacote que os concorrentes da época, em grande parte ainda apoiados em plataformas mais antigas, de tração traseira, não conseguiam replicar com a mesma eficiência. Este seria apenas o primeiro de muitos passos rápidos que a Fiat deu no País à frente da concorrência.
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