30 Julho 2026 | AutoData Apesar dos solavancos técnicos do início, com críticas especialmente com relação à rispidez da caixa de câmbio – problema que se estendeu por duas décadas até o lançamento do Palio, em 1996 –, as vendas do 147 cresceram rapidamente: o modelo comercializou 64 mil unidades já no primeiro ano completo no mercado e, no fim da década de 1970, chegou a superar as vendas do Fusca em determinados períodos. Não por acaso a Volkswagen, então líder absoluta do mercado nacional, acelerou o desenvolvimento do que se tornaria o Gol, lançado em 1980 já como resposta direta ao avanço do pequeno italiano. FAMÍLIA FÉRTIL A família 147 cresceu rapidamente depois do lançamento. Em 1978, em mais uma inovação pioneira, chegou a versão picape, derivada diretamente do hatch compacto de passeio. Era o lançamento da fórmula de aproveitar uma só plataforma para lançar vários modelos de carrocerias, que seria repetida por quase todos os fabricantes no País nas décadas seguintes. “Tudo começou com o 147. A engenharia teve a ideia na época de fazer uma picape a partir daquele hatch. Eu lembro do pessoal cortando e serrando a carroceria para fazer o protótipo”, relata João Irineu Medeiros, engenheiro principiante na época e hoje vice-presidente de assuntos regulatórios da Stellantis América do Sul. “A pergunta que se fez na época foi: Qual é o carro equivalente a este no mundo? E não tinha. Foi a primeira picape derivada de carro de passeio.” Após o lançamento do hatch a linha 147 se ramificou rapidamente para as versões Standard, L e GL que se somaram à variante esportiva Rallye e a topo de linha GLS, ainda em 1978, além da perua Panorama, do furgão Fiorino e, mais tarde, do sedã três-volumes Oggi. O amplo portfólio fez do 147 o primeiro veículo brasileiro a cobrir simultaneamente os segmentos hatch, sedã, perua, furgão e picape com a mesma base mecânica. CACHACINHA, PIONEIRO A ÁLCOOL Em 1979 é escrito um dos mais simbólicos capítulos da primeira década da Fiat: o lançamento do 147 a álcool, batizado carinhosamente de Cachacinha, o primeiro veículo do mundo produzido em série a rodar exclusivamente com etanol, antecipando por décadas a tendência global sobre biocombustíveis. Foi mais uma demonstração da agilidade com que a Fiat soube aproveitar oportunidades no mercado: o motor a etanol já estava pronto e a fabricante só esperava pelos incentivos do Proálcool, Programa Nacional do Álcool, para lançá-lo. O contexto por trás desta inovação era econômico e geopolítico. A crise do petróleo havia encarecido drasticamente a importação de combustíveis fósseis para o Brasil, provocando enorme déficit na balança comercial, e o governo federal respondeu ao choque com o Proálcool, lançado em 1975 com o objetivo de substituir parcialmente a gasolina por etanol ESPECIAL FIAT 50 ANOS » A PRIMEIRA DÉCADA
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