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32 Julho 2026 | AutoData produzido a partir da cana-de-açúcar abundante no País. A Fiat iniciou pesquisas para adaptar seus motores ao biocombustível já em 1976 e o resultado prático chegou às concessionárias três anos depois. O 147 a álcool representava uma resposta de engenharia a uma política pública específica, testada primeiro no Brasil antes de qualquer outro mercado do Grupo Fiat no mundo. E não deixou de ser um ótimo marketing. O Cachacinha, numa referência bem- -humorada ao cheiro característico do biocombustível queimado, chegou ao mercado com motor 1.3 e taxa de compressão substancialmente elevada com relação à da versão a gasolina, com 60 cv e 10 kgfm a 3 mil rpm. Para estimular a adoção do novo combustível em um momento em que a infraestrutura de distribuição de álcool ainda era incipiente o governo federal adquiriu diretamente 11 mil unidades do 147 a álcool para equipar estatais e órgãos públicos, como Telesp, Telemig, Telebahia e Petrobras. A medida ajudou a criar demanda inicial num mercado que ainda testava a viabilidade prática do etanol como combustível de uso cotidiano, e antecipou em décadas um modelo de fomento público a tecnologias de baixo carbono que o Brasil retomaria, sob outras formas. CRESCIMENTO COM SUCESSO DO 147 O impacto econômico e demográfico da chegada da Fiat em Betim também merece registro. A cidade, que tinha cerca de 60 mil habitantes no início dos anos 1970, cresceria para 400 mil ao longo das décadas seguintes, impulsionada diretamente pela instalação da fábrica e do parque industrial que se formou ao seu redor. É importante notar, no entanto, que a atração sistemática de fornecedores para o entorno imediato da planta, processo que ficaria conhecido como mineirização, só ganharia corpo a partir dos anos 1990, quando a Fiat passou a operar sob os sistemas just in time e just in sequence. Antes disso a empresa atraiu para Betim empresas de autopeças que pertenciam ao próprio grupo, como a sistemista Magneti Marelli, carburadores Weber e a fundição FMB, atual Teksid. Na década de 1970 o que existia era a decisão estratégica de descentralizar a produção automotiva nacional, mas havia resistência das fábricas de autopeças em se instalar longe do ABC paulista. O adensamento da cadeia de suprimentos em Minas Gerais só aconteceria duas décadas depois. Outro pioneirismo da fábrica brasileira da Fiat foi sua vocação exportadora desde o primeiro dia de operação, graças a um acordo firmado com o governo federal, que previa a isenção de impostos de importação de equipamentos em troca do compromisso de exportar o mínimo de US$ 400 milhões nos dez anos seguintes ao início da produção. Com isto o 147 já seguiu para outros países desde os primeiros anos – inclusive para a Itália onde era vendido como 127 Rustica –, assim como 155 mil motores por ano que eram embarcados para fábricas da matriz italiana. A perua Panorama, derivada do 147 e lançada ainda no fim dos anos 1970, também foi vendida no mercado italiano. CADÊNCIA ACELERADA Em 1983, ao fim do primeiro ciclo de dez anos da Fiat no Brasil, a linha de produtos passou por reorganização, incorporando a nova frente Spazio, com grade e faróis ESPECIAL FIAT 50 ANOS » A PRIMEIRA DÉCADA

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