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33 AutoData | Julho 2026 redesenhados: a versão básica passou a se chamar 147 C, a antiga GLS foi rebatizada Top, e a esportiva Rallye tornou-se Racing, ao mesmo tempo em que a Fiat testava no mercado o sedã três-volumes Oggi. O ritmo acelerado de lançamentos demonstra que, mesmo antes de qualquer sucessor estar pronto, a fábrica mineira já operava havia sete anos com uma cadência de atualização anual de produto tipicamente associada a mercados automotivos maduros, uma disciplina que se manteria como característica da operação brasileira da marca nas décadas seguintes. Em uma década os números já eram expressivos: somando-se as versões menores às variantes Panorama e Fiorino, o 147 e seus derivados ultrapassaram 1,2 milhão de unidades produzidas em Betim. Parte relevante desse volume corresponde à janela 1976-1983, período em que a fábrica ainda operava com uma única linha de produto, mas já demonstrava a capacidade de sustentar demanda crescente com reestilizações anuais. A produção do 147 se estenderia até 1986, quando o modelo foi definitivamente substituído nas linhas de Betim por outro sucesso de vendas, o Uno. A evolução de proporções do 147 e o avanço da ergonomia fabril ficam evidentes ao se analisar a própria linha de montagem atual. “Se estivéssemos produzindo até hoje o Fiat 147 não precisaria ter tudo aquilo que temos hoje. Antigamente as peças eram pequenas, hoje são bem maiores”, compara Glauber Fullana, atual diretor de manufatura da Stellantis América do Sul. “Betim tem 2 mil robôs em cima do processo, que nos ajudam principalmente com a parte ergonômica e com a exatidão da qualidade.” DUPLA MISSÃO CUMPRIDA Ao fim de seu primeiro ciclo de dez anos no País a Fiat cumpriu uma dupla missão: provar que era possível erguer, em tempo recorde, uma fábrica de automóveis fora do eixo tradicional da indústria brasileira e provar que esse complexo seria capaz de gerar inovação e não apenas a montagem de tecnologia importada. O 147 a álcool sintetiza essa dupla conquista: nascido de uma decisão política de 1973, fabricado numa planta erguida contra o relógio e batizado com um apelido carinhoso que o transformaria, décadas depois, em símbolo da capacidade da engenharia brasileira de resolver problemas locais com soluções que o mundo levaria anos para copiar. Este primeiro capítulo também deixou uma lição que se repetiria em praticamente todas as fases seguintes da história da marca no País: o produto certo, lançado no momento certo, tem poder de reorganizar a própria concorrência. Foi assim que o 147 forçou a Volkswagen a antecipar o Gol. Seria assim, décadas depois, que o Palio obrigaria rivais a repensar a arquitetura de carros populares, e que a Strada redefiniria o conceito de picape pequena no Brasil.

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