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37 AutoData | Julho 2026 sil foi iniciada com o Fiat Uno, que chegou ao mercado brasileiro em agosto de 1984, um ano depois do lançamento para a Europa realizado em janeiro de 1983 em Cabo Canaveral, nos Estados Unidos – mercado no qual o carro jamais seria vendido –, mas a escolha do local buscava associar o compacto a uma imagem de modernidade tecnológica. Com design assinado pelo italiano Giorgetto Giugiaro, fundador do estúdio Italdesign, o Uno havia sido eleito Carro Europeu do Ano de 1984 ainda antes de desembarcar em solo brasileiro. Giugiaro priorizou a engenharia do espaço sobre o purismo estético: segundo o designer o Uno foi concebido como um veículo alto, onde as pessoas se sentavam em uma posição mais ereta. Essa foi a chave para obter um espaço interno extraordinário em um comprimento total tão reduzido. O lançamento brasileiro foi realizado em agosto de 1984. O carro chegou ao País com motores 1.0 e 1.3 nas versões S, CS e na esportiva SX, e passou por adaptações específicas para as condições brasileiras: suspensão retrabalhada, carroceria reforçada e reposicionamento do estepe para dentro do compartimento do motor, solução já utilizada no 147 que liberava espaço extra no pequeno porta-malas, e que não existia na versão europeia. A missão comercial do Uno era clara desde o início: substituir o 147 com um produto mais moderno e espaçoso, competindo diretamente com Chevrolet Chevette, Ford Escort e Volkswagen Gol. A fórmula “pequeno por fora, grande por dentro” se consolidou rapidamente como assinatura da marca no Brasil e abriu caminho para uma família inteira de derivados, assim como já havia acontecido com o 147. FAMÍLIA AMPLIADA E MELHORADA O sedã Prêmio, lançado em 1985, foi o primeiro carro da Fiat no País a oferecer computador de bordo de série. A perua Elba chegou em 1986 e furgão e picape Fiorino derivados da mesma plataforma completaram a gama em 1988. A versão esportiva 1.5R, de 1987, trazia motor de 86 cv, chegava aos 162 km/h, com aceleração de 0 a 100 km/h em 12 segundos, números vistosos para a época. A família Uno também ganhou versões de acesso mais restrito ao longo da década, como a CSL, primeira nacional com computador de bordo de série disponível também nesta linha, além de edições esportivas que ampliaram o apelo do compacto para além do público que buscava economia. Tecnicamente o Uno se destacava pelo seu coeficiente aerodinâmico, Cx, de 0,35, resultado de ajustes que a própria Fiat considerava superiores ao carro original italiano, adaptado a condições de uso mais severas nas estradas brasileiras. A robustez do projeto se refletiria em longevidade pouco comum: o Uno seguiu em produção no Brasil por 37 anos, seria vendido e revendido continuamente no mercado de usados, e seu encerramento definitivo só ocorreria em 2021. DO PRIMEIRO POPULAR À AUTONOMIA O lançamento do Uno Mille, em 1990, mais uma vez refletiu a agilidade da Fiat em influenciar e se mover a favor dos ventos políticos. A variação foi criada para aproveitar a redução de impostos concedida pelo governo federal a motores com capacidade volumétrica inferior a 1 litro. A própria Fiat fez gestões para aprovação da nova categoria, pois já tinha o

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