38 Julho 2026 | AutoData motor e o modelo prontos para aproveitar a oportunidade, inaugurando o segmento de carros populares que tornou o automóvel zero-quilômetro acessível à faixa de consumidores que até então dependia quase exclusivamente do mercado de usados no Brasil. Novamente a Fiat ficou sozinha em posição privilegiada diante da concorrência, que saiu em correria destrambelhada para adaptar motores ineficientes. Quatro anos depois, em 1994, a Fiat apresentaria uma proposta radicalmente oposta com o Uno Turbo, o primeiro carro nacional a sair de fábrica equipado com motor turbinado de série, demonstrando a sua capacidade de operar simultaneamente nos dois extremos do mercado, do carro popular ao esportivo de nicho. Os modelos foram os primeiros resultados da autonomia quase forçada conquistada pela subsidiária brasileira, como recorda o vice-presidente de relações regulatórias da Stellantis, João Irineu Medeiros: “A engenharia da Itália não tinha horas disponíveis, então tivemos de desenvolver um grupo para dar vazão a essas ideias. O Uno Turbo daqui era diferente do produzido na Itália. Primeiro demonstramos que éramos capazes, depois recebemos a autorização para fazer o desenvolvimento. A partir da inauguração do prédio da engenharia, o famoso Galpão 50, em março de 1987, começou o processo firme de adquirir autonomia local”. Essa transição de postura mudou a rotina das esteiras produtivas, observa o diretor de manufatura da Stellantis América do Sul, Glauber Fullana: “Antigamente nós simplesmente recebíamos a informação vinda da Europa: ‘Este aqui é o carro que vocês têm que montar’. E a manufatura praticamente se limitava a fazer a produção. Hoje temos de estar integrados com a engenharia, com o design e com a área de planejamento. Praticamente dois anos antes de um carro estar pronto já temos de estar começando a ouvir o que vai ser a tendência”. TRANSFORMAÇÃO ECONÔMICA O pano de fundo econômico daquela década ajuda a explicar por que o momento do Uno Mille foi tão decisivo. O Brasil viveu, do fim dos anos 1980 ao início dos anos 1990, um período de hiperinflação que chegou a superar 2 700% em 1993, tornando o financiamento de bens de longo prazo praticamente inviável e transformando qualquer compra de valor mais alto. Em 1993, já sob o governo Itamar Franco, o País instituiu um programa de incentivo a carros populares que reduzia a alíquota do IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados, para 0,1% em veículos vendidos a até US$ 7,2 mil, política que ESPECIAL FIAT 50 ANOS » A SEGUNDA DÉCADA
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