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40 Julho 2026 | AutoData se somou à isenção fiscal já concedida a motores abaixo de 1 litro para consolidar de vez o segmento inaugurado pelo Uno Mille três anos antes. A estabilização promovida pelo Plano Real, em julho de 1994, tratou de executar a transformação total do mercado, pois o estancamento da inflação permitiu que consumidores financiassem compras pela primeira vez em anos, impulsionando um boom de vendas que, pela primeira vez, em 1997, chegou perto de 2 milhões de veículos emplacados. EM BUSCA DE CLIENTES RENTÁVEIS Paralelamente à consolidação do Uno no mercado de carros populares a Fiat buscava provar que também sabia produzir carros mais refinados para clientes mais rentáveis. Em 1991 lançou o sedã médio Tempra, derivado da plataforma do hatch Tipo e lançado na Europa um ano antes. A versão brasileira estreou com o fraco motor 2.0 de oito válvulas e 99 cv, ainda equipado com carburador, em contraposição à injeção eletrônica do Chevrolet Monza e do recém-lançado Omega. A resposta da Fiat veio rápido: em 1993 lançou o Tempra Ouro 16V, primeiro carro nacional a adotar o conceito de multiválvulas em série, com 127 cv e 18,1 kgfm de torque, e, no ano seguinte, veio o Tempra Turbo, com 165 cv, 26,5 kgfm e desempenho de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos – atrás do próprio Uno Turbo lançado no mesmo ano. O Tempra Turbo teve ainda um momento de exposição nacional pouco usual para um carro de produção: foi o safety car que conduziu Ayrton Senna na volta de apresentação do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 de 1993. Medeiros, que participou da equipe que preparou o motor do veículo na ocasião, ainda se orgulha do feito: “Nós preparamos o carro-madrinha, que era um Tempra 16V, e esse carro não podia falhar em hipótese alguma. O Senna estava com problema no câmbio, ganhou a prova bravamente, mas não conseguiu completar a volta da vitória. O carro parou logo depois do S do Senna, e aí o Tempra teve que ir lá resgatá-lo. Ele sentou na porta do carro-madrinha, pegou a bandeira e completou a volta”. DESAFIOS E OPORTUNIDADES A abertura comercial às importações de veículos promovida no início dos anos 1990 trouxe à Fiat brasileira desafios e oportunidades. Em setembro de 1993 aproveitou-se a primeira oportunidade: a montadora começou a importar da Itália o hatch médio Tipo, que logo se tornou o importado mais vendido do Brasil em 1994 e 1995. Ele chegou à quinta colocação geral do mercado neste último ano, com pouco mais de 83 mil unidades comercializadas. O sucesso comercial do Tipo, no entanto, foi acompanhado por um problema técnico grave: casos de incêndios associados a vazamentos na mangueira de alta pressão da direção hidráulica, que pingava fluido inflamável sobre o coletor de escape. Os episódios geraram recalls, processos na Justiça e arranharam a reputação do modelo para sempre a partir de meados de 1995. Ainda assim o Tipo seguiu no mercado e sua produção foi nacionalizada em dezembro de 1995, já em versão única 1.6 de oito válvulas e um marco: foi o primeiro carro nacional a sair de fábrica com airbags de série. ESPECIAL FIAT 50 ANOS » A SEGUNDA DÉCADA

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