41 AutoData | Julho 2026 RESPOSTA GLOBAL O capítulo desta década é encerrado com outro empreendimento de grande sucesso: o Palio. A Fiat identificava, desde o início dos anos 1990, a necessidade de um sucessor para o Uno que pudesse competir com a modernidade da segunda geração do Volkswagen Gol, lançada em 1994, e com o recém-chegado Ford Fiesta. Diferentemente do que ocorrera na Europa, onde o substituto natural do Uno seria o Punto, apresentado no Salão de Frankfurt de 1993, a matriz italiana decidiu que o Brasil, junto a outros mercados emergentes como África do Sul, Índia e países do Leste Europeu, receberia um modelo específico: o Projeto 178, iniciado em 1992 e desenvolvido em parceria com o Centro de Estilo da Fiat na Itália e o estúdio I.DE.A, com participação também do Italdesign de Giugiaro. O nome escolhido, Palio, é uma referência à tradicional corrida de cavalos que remete ao século 17 na Itália, o páreo. O carro foi apresentado ao mundo pela primeira vez no Brasil, em abril de 1996, com versões de duas e quatro portas lançadas simultaneamente. O Palio chegou com motores 1.0 Fiasa, 1.5 fabricado no Brasil e 1.6 16V importado da Itália – este último com 106 cv, potência que colocava a versão de topo da linha em pé de igualdade com esportivos consagrados como o Gol GTI e o Corsa GSi. Tão importante quanto o desempenho foi o pacote de segurança, inédito na época para um carro de entrada: o Palio foi o primeiro modelo 1.0 nacional a oferecer airbags e freios ABS, um patamar de proteção até então reservado a veículos de categoria superior. Em julho de 1996, poucos meses depois do lançamento inicial, a Fiat ampliou a linha com as versões de entrada ED e EDX, equipadas com o motor 1.0 Fiasa de 61 cv e diferenciadas pelo número de portas e pelo nível de acabamento. Estas configurações rapidamente passaram a responder pela maior parte do volume de vendas do modelo.4 Em março de 1997 chegou a primeira derivação do hatch, a perua Palio Weekend, nas versões 1.5, 1.6 16V e na mais luxuosa Stile, seguida meses depois pela variante Sport, com rodas cromadas e volante Momo. Em agosto daquele ano surgiu a segunda derivação, o sedã Siena, batizado com o nome da própria cidade italiana sede do Palio dos cavalos, oferecido inicialmente nas versões básica EL e topo de linha HL. O sucesso do Palio consolidaria, assim, uma família inteira de derivados que incluiria ainda, em 1998, a picape Strada. Mas o que o ciclo de 1984 a 1996 entrega como legado mais duradouro é a comprovação de que a Fiat brasileira havia deixado de ser apenas uma montadora coadjuvante que adaptava produtos europeus às condições locais e seria capaz de ganhar papel de protagonista ao influenciar decisões de engenharia da matriz italiana, sediar o desenvolvimento de um projeto global e ditar o ritmo de segurança e tecnologia que o resto da indústria brasileira seria obrigada a seguir.
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