51 AutoData | Julho 2026 O mais longevo presidente acelerou os negócios Paulistano, engenheiro, com uma carreira de 45 anos no Grupo Fiat, passando por Fiat Tratores, Fiat Holding e Fiat Autopeças antes de se tornar o primeiro brasileiro a assumir a presidência da Fiat Automóveis, Cledorvino Belini dirigiu a operação brasileira e latino-americana por doze anos consecutivos, de 2004 a 2015, em um período de rara estabilidade para os padrões do setor automotivo, marcado por trocas de executivos com muito mais frequência. O executivo também presidiu a Anfavea, a entidade que representa os fabricantes, de 2010 a 2013, quando dividiu a gestão da Fiat com a negociação da política industrial para o setor, o Inovar-Auto, que protegeu a indústria automotiva das importações em troca de evolução tecnológica. Durante o mais próspero período do setor automotivo no Brasil Belini dirigiu a formação da FCA, a Fiat Chrysler Automobiles, na América Latina e negociou pessoalmente incentivos para tornar viável a construção da fábrica de Goiana, PE. Hoje fora da companhia Belini atribui sua longevidade no cargo à combinação de resultado e diálogo direto com a matriz italiana: “Foi um processo muito estável e esta era uma característica do Sergio Marchionne [ex-CEO do grupo]: as outras regiões, como Europa e Estados Unidos, também tinham executivos com mais tempo no cargo do que a média do mercado. Mas o meu caso foi ainda mais longe, e não era por falta de substitutos, pois eles existiam. Acho que tudo estava na forma de dialogar, de convencer com os projetos e os investimentos. Eu era muito cauteloso, dava resultado, e ele confiava”. A saída, segundo o executivo, partiu dele: “Eu pedi para sair. É uma vida muito estressante. Naquela época estava começando a videoconferência, mas ainda era tudo reunião presencial: dia 1º eu ia para a Itália, fazia reunião, voltava. No dia 15 tinha outra reunião. Uma ou duas vezes por ano ia para os Estados Unidos, para o Japão, para a China... Era muito puxado. Eu precisava de alguma coisa mais leve”. Depois de deixar a presidência da FCA Latam Belini permaneceu cerca de um ano e meio como conselheiro da companhia antes de assumir, em suas palavras “uma coisa mais leve que não era tão leve”, a presidência da Cemig, a companhia de distribuição de energia elétrica de Minas Gerais. Fora da então FCA desde 2015 e acompanhando o setor à distância Belini vê no crescimento chinês o principal ponto de inflexão da indústria automotiva mundial nas últimas décadas e usa a comparação com o Brasil para dimensionar o tamanho do desafio: “Se a gente olhar para 1990 a produção brasileira era de 900 mil veículos, e a produção chinesa era metade disso, uns 500 mil. Ou seja: nós triplicamos a produção desde então. Os chineses multiplicaram a deles setenta vezes”. Ele segue: “Então os grupos têm que se unir de verdade para ter plataformas mais competitivas e, ao mesmo tempo, ter tecnologia. As mudanças no setor automotivo são enormes, posso citar o carro autônomo, carro voador, fora o que já é realidade, como o carro elétrico. O Brasil tem competição com o carro elétrico, que é o etanol, mas é preciso levar em conta que o carro elétrico, quando ganha escala, fica mais competitivo e mais simples de montar”. Ao ser convidado a deixar uma mensagem para os atuais 50 anos da Fiat no Brasil Belini preferiu não falar de números ou de estratégia, e sim das pessoas: “Quero deixar uma mensagem a todos os trabalhadores, todos os engenheiros, todos os administrativos: vocês são brilhantes e continuam brilhando até hoje, produzindo, desenvolvendo e fazendo carros maravilhosos”. Divulgação/Stellantis
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