39 AutoData | Agosto 2026 Para Melissa Mattedi, diretora geral da fábrica de turbocompressores da BorgWarner em Itatiba, SP, a desindustrialização passada cobra seu preço: “Depois da crise iniciada em 2013, que resultou na recessão de 2015 e 2016, muitos fornecedores fecharam as portas”. Hoje, ela aponta, componentes estruturais precisam ser importados pela ausência de fornecedores locais: “Não queremos ter de esperar semanas para uma peça chegar no Brasil. Quem não quer ter o fornecedor aqui do lado?”, questionou a executiva, apontando a necessidade de políticas públicas mais fortalecidas. Adriano Rishi, presidente da Cummins no Brasil, lembrou que, para muitos comMarcos Bento, Abraciclo Adriano Rishi, Cummins ponentes específicos, a falta de escala impede o investimento em localização, o que empurra a empresa para os itens importados. MOTOS: SUPERAÇÃO E RECORDES. Destacando-se como o segmento mais dinâmico do mercado automotivo no momento atual o setor de motocicletas caminha para marcas expressivas. Marcos Bento, presidente da Abraciclo, reafirmou a projeção de superar as 2 milhões de unidades produzidas em 2026: “No primeiro semestre atingimos a marca de 40 milhões de motos já produzidas em Manaus, o que nos classifica como o maior polo de duas rodas do mundo fora do eixo asiático”. A entidade projeta encerrar o ano com quase 2,1 milhões de unidades produzidas, alta de 4,5%. Apesar do momento aquecido, amparado pelo crescimento das vendas de motos por consórcio, que responde por um terço dos pagamentos, as adversidades logísticas e climáticas, como a ameaça de mais um forte El Niño na Amazônia, estão no radar: “Precisamos do rio tanto para a entrada de mercadorias quanto para a saída de produtos acabados. A seca de dois anos atrás trouxe uma curva de aprendizagem”. O varejo de motos segue sendo catapultado por novos perfis de consumidores. No primeiro semestre foram emplacadas quase 1,2 milhão unidades, em alta de 14,1% sobre o mesmo período de 2025: “O mercado anda muito positivo graças à forte demanda do delivery e à crescente participação feminina no setor”. No mercado externo ainda há obstáculos: “Apesar do volume ser pequeno registramos recorde. Nossos maiores destinos são Argentina, Colômbia, Guatemala e Estados Unidos”. Para alavancar estas vendas ele ressalta o entrave da falta de padronização nas normas de emissões na América Latina, onde o Brasil é mais rigoroso com o Promot M5, contra Promot M3 dos vizinhos: “Uma regulamentação no setor é algo de extremo interesse a fim de alavancar nossas exportações”.
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