84 Agosto 2026 | AutoData INDÚSTRIA » MEMÓRIA Tornei-me amigo de Gurgel no período em que trabalhei na revista Quatro Rodas, de 1980 a meados de 1986, e o que nos aproximou foi um certo conhecimento meu cobrindo a área de energia – álcool – e sua profunda antipatia ao álcool como carburante. Dizia que a terra dos canaviais deveria produzir arroz, feijão, milho, mandioca e que o álcool combustível seria, certamente, a causa da ruína do País. O que ele diria ao olhar a realidade que vivemos hoje, agosto de 2026? O que diria de seu inimigo, hoje rebatizado como etanol, como peça central de nosso programa energético, e da presença de empresas fabricantes chinesas que têm eletricidade como foco? O que diria da mistura multicombustível, do motor flex, que hoje é a salvadora da lavoura e que nos apresenta ao mundo como local de soluções possíPor Vicente Alessi, filho Que diabos é isto!, diria Gurgel Fundador da Gurgel Veículos denunciava a expansão dos canaviais como o caminho mais próximo para a ruína do País. E defendia os derivados de petróleo. veis diante do caos geral? Ele morreu em 2009, aos quase 83 anos, e obviamente nunca dispôs destas respostas. TARA POR PRODUZIR Mas quem era Gurgel? Nascido na Franca do Imperador e da rádio Hertz, perto de Ribeirão Preto, SP, em 1925, tornou-se engenheiro pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Tinha uma tara, tara saudável: produzir veículos, objetos que adorava. Fez pós- -graduação em Detroit, Michigan, Estados Unidos, e trabalhou na Buick e na General Motors Truck & Coach. Foram tempos de aprendizado. Voltou ao Brasil e em 1958 investiu na área de moldados plásticos, produzindo luminosos. Seis anos depois inaugurou a Macan, concessionária Volkswagen que “também fabricava karts, minicarros inReprodução Internet
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