86 Agosto 2026 | AutoData INDÚSTRIA » MEMÓRIA fórmula simples descoberta por Daimler, depois sócio de Benz, afinal equacionada por Ford, Henry Ford, em Dearborn, Michigan: sem escala não há indústria nem consumidores satisfeitos. João Gurgel, assim, não foi vítima de enquadramento pelas Big Three de Detroit nem das francesas nem daquelas da Germânia ou do reino de Roma. Ele, simplesmente, não tinha grana, não tinha bufunfa para manter uma empresa fabricante de veículos. O mundo da produção de veículos impõe investimento massivo antes mesmo da contratação do funcionário número 1, antes que o primeiro projeto seja apresentado às linhas de produção e muitíssimo antes que, transformado em unidade rodante, chegue às mãos de seu primeiro dono feliz. O mítico John de Lorean conheceria esta realidade perto de Belfast, Irlanda do Norte, onde localizou sua unidade produtiva, no início dos anos 1980. Mas Gurgel, de tradicional família conservadora da terra de Anhanguera e de Fernão Dias Paes Leme, se fiava numa relação pouquíssimo empresarial para bancar o sonho de sua vida, o sonho da indústria brasileira de veículos: sua ligação com os meganhas que tomaram conta do poder nas terras brasiliensis em 1964. Não tenho, e nunca tive, noção do tamanho do dinheiro que ele obteve, nos anos 1970 e 1980, originado de projetos mambembes que apresentou – pro forma, claro – ao BNDES, no qual tinha poder de influência por meio de milicos seus amigos de família. Aposto que foi grana pra cacete para projetos que não ultrapassavam a fibra de vidro e que só se moviam por causa de mecânica Volkswagen – mais mamãe com papai impossível. Ou seja: não havia nem técnica nem tecnologia nacional que o salvasse. A TORNEIRA SECOU Hoje, acredito, João não correria atrás de mim com taco de sinuca na mão em volta da piscina de sua casa na chácara de Rio Claro antes do almoço e aos olhos de não-acredito de sua mulher, Carolina, só porque eu disse, de uma tacada a outra sobre o pano verde, que ele e sua indústria não tinham futuro diante do avanço de técnicas muito mais contemporâneas que não estavam disponíveis diante do dinheiro com o qual o BNDES não o brindava mais. Os tempos eram os de Sarney mas já eram outros. Eram tempos abertos aos poderes de influência mas não mais para ele: pois João, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, aquela simpatia, torrara quase toda aquela grana recebida a leite de pato do BNDES para denunciar o aventureirismo do avanço do álcool da região onde morava, a de Piracicaba, para a de Ribeirão Preto e para a do Centro-Oeste. Bancou várias vezes cartas abertas nas capas das edições de fim de semana dos grandes jornalões e revistas da época denunciando o catastrofismo à vista da falta de alimentos diante do avanço dos canaviais. Enfim, com o nome de etanol, o álcool carburante hoje é a salvação energética do País. Reprodução Internet/MIAU
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