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25 AutoData | Setembro 2026 Nos primeiros sete meses a produção das associadas à Fabus cresceu 4% considerando mercado interno e exportações. A produção destinada ao mercado brasileiro avançou 8% e as exportações recuaram 16%. No recorte por tipo os modelos urbanos caíram 17% e os rodoviários 26%. Os micro-ônibus cresceram 43% e os miniônibus avançaram 160%, principalmente por causa de compras governamentais. Para Bisi a pressão vem do diesel mais caro no transporte urbano, sem repasse correspondente para as tarifas, e das taxas de juros. Mais do que o custo do dinheiro o executivo destaca a restrição ao crédito como um dos principais obstáculos. A Fabus admite que a queda de 2026 pode ser maior do que a prevista no início do ano, quando se trabalhava com estabilidade ou retração de 5% a 7%. A Marcopolo trabalha com redução de 5% a 10%. A empresa também identificou desempenhos distintos: urbanos e rodoviários recuaram mais e micro-ônibus apresentaram resultado positivo no primeiro semestre. Para 2027 os encarroçadores apontam uma combinação de fatores capazes de melhorar o ambiente: continuidade do Caminho da Escola, renovação de frotas, eventual redução dos juros e novos mecanismos de financiamento. A expectativa é de alguma melhora em todos os segmentos, sem indicação de retorno imediato aos níveis excepcionais de 2025. A frente externa também ganha importância para as carrocerias de ônibus. A Marcopolo vê oportunidades no Chile e no Peru, onde a mineração mantém atividade elevada, além de possibilidades futuras na Argentina e no México. A empresa pretende ampliar as exportações, sobretudo de rodoviários, para compensar a fraqueza do mercado brasileiro. ÔNIBUS ELÉTRICOS A transição tecnológica seguirá no radar, embora os ônibus elétricos ainda representem parcela pequena do mercado brasileiro. Segundo Barbosa, da Mercedes-Benz, o segmento urbano a diesel acumula queda de 25% enquanto os elétricos avançam 70%. Para ele a eletrificação ocorrerá de forma gradual porque os municípios têm necessidades diferentes de autonomia e infraestrutura. Seixas, da Volvo, defende uma transição com mais de uma tecnologia, combinando ônibus elétricos com combustíveis renováveis. A eletrificação está mais concentrada em São Paulo, onde políticas públicas e infraestrutura favorecem a adoção. Em outras cidades alternativas como biodiesel e biometano podem contribuir para reduzir emissões. Carrer, da VWCO, concorda que a eletrificação é inevitável mas dependerá também de condições mais razoáveis de financiamento. BALANÇO As perspectivas apresentadas no Fórum Veículos Comerciais apontam, portanto, para um segundo semestre de 2026 de acomodação, depois do impulso dos programas de crédito e das compras governamentais. Caminhões devem sentir o fim do Move Brasil, implementos tendem a recuar mais e ônibus enfrentam juros, crédito restrito e menor participação do setor público. Em 2027 a melhora esperada depende de uma combinação de fatores: retomada do crédito, renovação de frotas, continuidade ou criação de políticas públicas e maior participação das exportações. Nos ônibus o Caminho da Escola deve deslocar parte relevante da demanda para o próximo ano. Nos implementos as vendas externas podem compensar parte da fraqueza doméstica. Nos caminhões a concorrência chinesa adiciona um novo componente a um mercado que continuará pressionado pelo custo do financiamento. O cenário não aponta para uma reversão imediata, mas para uma recuperação gradual a partir de uma base mais baixa. O ritmo dependerá principalmente da capacidade de destravar o crédito e dos efeitos concretos das medidas que possam estimular a renovação das frotas. [Com reportagem de André Barros e Soraia Abreu Pedrozo]

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