XXXXX » XXXXXXXXXXXX 36 Setembro 2026 | AutoData Desenvolvimento Econômico, hoje o BNDES], porque tinha muito dinheiro”, relata no livro Macedo Soares, que integrou o conselho consultivo da nova empresa, foi vicepresidente e, por dez anos, de 1961 a 1971, cumprindo a convocação recebida anos antes, foi nomeado presidente para substitur o próprio Alfred Jurzykowski, que na época decidiu retornar aos Estados Unidos – sem vender sua parte. No início de 1956 Jurzykowski, antes mesmo de inaugurar a fábrica, já estava usinando os blocos fundidos na Sofunge e produzindo os primeiros motores diesel nacionais – e começou a vendê-los também para quem quisesse substituir o motor a gasolina de seu caminhão de qualquer marca. Com a inauguração da fábrica de São Bernardo, em setembro de 1956, a lucrativa operação consolidou o interesse da Daimler-Benz pelo Brasil, ...e fundou no Brasil a maior fabricante de caminhões e ônibus Jurzykowski e o general Macedo Soares: ajuda técnica e mediador de conflitos. O terreno da fábrica de São Bernardo do Campo: comprado por Jurzykowski em 1953, antes mesmo de apresentar o plano ao governo brasileiro. fazendo a empresa aumentar para 50% sua participação no negócio, dando início a uma relação nem sempre afável: “Como ficaram sócios em partes iguais, ninguém mandava, nem ele, nem a Mercedes, e eu fiquei no meio [como vice-presidente]. Eles brigavam e eu resolvia, seguiam rigorosamente a minha decisão”, revelou Macedo Soares ao livro da FGV. O conflito de liderança, contudo, nunca impediu o rápido e rentável avanço da empresa no Brasil. A Daimler muitas vezes propôs comprar a parte do sócio polonês, que nunca aceitou vender enquanto esteve vivo. Mesmo após voltar a morar nos Estados Unidos, a partir de 1960, Jurzykowski nunca abriu mão de sua participação societária na Mercedes-Benz do Brasil. Ele faleceu aos 67 anos na sua casa em Bronxville, Nova York, em 29 maio de 1966, pouco mais de 25 anos após ter iniciado a história industrial da marca alemã em solo brasileiro. No mesmo ano a Daimler comprou da família a participação de 50% e assim tornou-se dona de 100% da subsidiária brasileira. Sempre investindo no País desde que chegou o empresário polonês por vezes se ressentia de não ser reconhecido como cidadão do País. Macedo Soares relata uma dessas passagens: “De vez em quando ele me perguntava: ‘O que falta para eu ser brasileiro?’. Eu respondia: ‘Você se registre como Alfred Jurzykowski da Silva’. E ele, que não tinha o menor sense of humour, ficava furioso”. A naturalização brasileira do empresário polonês foi reconhecida – e ficou eternizada – na rua que leva o seu nome em São Bernardo do Campo, endereço oficial da MercedesBenz do Brasil, na Portaria 1, uma homenagem silenciosa a um estrangeiro que venceu a resistência alemã e teve papel central na instalação da indústria automotiva no País. ESPECIAL MERCEDES-BENZ 70 ANOS » CHEGADA & CONSOLIDAÇÃO
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=