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53 AutoData | Setembro 2026 Quando a Mercedes-Benz iniciou a produção de caminhões no Brasil, em 1956, o transporte rodoviário ainda dava seus primeiros passos. As estradas eram precárias, a logística pouco profissionalizada e a oferta de configurações bastante limitada. Na prática um mesmo caminhão precisava atender a diferentes operações. Quem necessitava de um chassi mais curto encontrava uma maneira de encurtá-lo. Quem precisava de mais comprimento fazia a adaptação em alguma oficina. “O veículo chegava ao cliente como uma plataforma relativamente genérica e ganhava características específicas conforme a necessidade da operação”, resume Cláudio Gasparetti, que trabalhou na Mercedes-Benz de 1984 a 2004 e ocupou a posição de gerente de engenharia de vendas e demonstração de caminhões. Setenta anos depois o cenário mudou radicalmente: o caminhão deixou de ser uma ferramenta generalista e passou a funcionar como um equipamento de produção, desenvolvido de acordo com a carga, o implemento, a rota, o consumo, a disponibilidade, a segurança e o custo total de operação. A trajetória da Mercedes-Benz no Brasil ajuda a contar essa transformação como agente protagonista dessa evolução em cada uma de suas etapas. Agora uma nova variável entra de forma decisiva nesta equação: a energia. A transição para veículos elétricos, a expansão dos biocombustíveis, o desenvolvimento do hidrogênio e outras alternativas obrigam a engenharia a repensar não apenas o trem de força mas o próprio conceito do veículo comercial. NO PRINCÍPIO, AGUENTAR O TRANCO Nos anos 1950 e 1960 a principal missão de um caminhão no Brasil era chegar ao destino com a carga e suportar as condições encontradas pelo caminho. O País tinha malha rodoviária pequena, muitas rotas eram em estradas de terra e a infraestrutura de abastecimento e manutenção era bastante limitada. Nesse cenário robustez era questão de sobrevivência, lembra Gasparetti: “Naquela época a prioridade era transportar do ponto A para o ponto B. Não se pensava tanto em economia de combustível. O caminhão tinha que aguentar o tranco”. Ao chegar ao País a Mercedes-Benz encontrou ainda um diferencial importante naquele cenário, ao apostar exclusivamente nos motores diesel – tendo só os ultrapassados caminhões FNM como concorrente que utilizava o mesmo combustível. Enquanto quase toda a concorrência utilizava motorização a gasolina todos os caminhões da marca eram a diesel, oferecendo maior durabilidade, robustez e menor consumo. Desde os seus primeiros momentos produzindo no Brasil a empresa precisou convencer os transportadores das vantaNo início das operações no Brasil o maior trunfo foi o motor diesel: propagandas e caravanas de caminhões venderam as suas vantagens nos anos 1950. Arquivo Lexicar

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