436-2026-09

XXXXX » XXXXXXXXXXXX 58 Setembro 2026 | AutoData nharia brasileira esteja isolada. Os projetos passaram a ser cada vez mais globais, com plataformas e componentes compartilhados com os países. Ainda assim cada mercado continua exigindo conhecimentos específicos. Nesse processo o Brasil deixou de ser apenas receptor de tecnologia e também passou a contribuir para o desenvolvimento de soluções destinadas a outras regiões. ÔNIBUS A evolução dos ônibus no País seguiu trajetória semelhante à dos caminhões, mas acrescentou um elemento decisivo: o poder público. No caminhão a decisão está diretamente ligada à necessidade do transportador. No ônibus urbano entram na equação operador, órgãos gestores, contratos, legislação, infraestrutura e políticas de mobilidade. A Mercedes-Benz começou a desenvolver soluções específicas para este segmento já nos primeiros anos da produção nacional. Em 1958 lançou o O 321 H, o primeiro e por muitos anos o único ônibus monobloco do País, com chassi e carroceria integralmente projetados e produzidos pela fabricante. A arquitetura rompia com a utilização convencional de um chassi de caminhão adaptado para receber uma carroceria de passageiros. O conceito empregado no O 321 antecipou em muitas décadas a evolução dos ônibus no País, a começar pela instalação do motor na traseira. No transporte urbano a mudança representava ganho de espaço, redução de ruído e menor vibração para os passageiros. Poucos anos depois a fabricante ampliou a oferta de chassis específicos para ônibus, acompanhando a evolução do transporte coletivo, até que, a partir de 1996, deixou de produzir ônibus completos, os monoblocos, para se dedicar exclusivamente à produção de chassis fornecidos aos encarroçadores. Esta especialização e o desempenho excepcional no mercado brasileiro de ônibus, que ultrapassou a própria matriz, tornou a subsidiária brasileira, desde uma rodovia pavimentada, entrar em uma estrada de terra, acessar uma fazenda, enfrentar aclives e depois seguir para um porto ou terminal ferroviário. Essa diversidade criou conhecimento técnico valioso para a companhia. Em entrevista para esta edição o atual presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Denis Güven, confirma o valor da expertise da operação: “Um caminhão desenvolvido para as estradas brasileiras está pronto para rodar nos ambientes mais severos do mundo. Esta característica favorece as exportações e reúne mercados com desafios semelhantes, fortalecendo a liderança e a engenharia do Brasil”. Segundo Gasparetti a engenharia brasileira passou a ser referência para mercados com condições semelhantes: “Quando se fala de América do Sul, Oriente Médio e África a engenharia brasileira é referência”. Isto não significa, contudo, que a engeAnúncio do monobloco O 321 lançado em 1958: à frente de seu tempo. ESPECIAL MERCEDES-BENZ 70 ANOS » PRODUTOS & ENGENHARIA

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=