XXXXX » XXXXXXXXXXXX 70 Setembro 2026 | AutoData LABORATÓRIO BRASIL As características do transporte de passageiros no Brasil ganharam dimensão global, pois o País tem enorme massa de passageiros – é o terceiro maior mercado de ônibus do mundo com grande participação da Mercedes-Benz nisso – e reúne condições diversas, que obrigam um ônibus a enfrentar calor, poeira, enchentes, estradas irregulares, lombadas, valetas e diferenças enormes a depender de cidades e regiões. Este laboratório a céu aberto levou a Mercedes-Benz a instalar na planta de São Bernardo do Campo, SP, o seu o centro mundial de desenvolvimento de chassis de ônibus, que desenvolve produtos para todos os demais mercados. Mais do que adaptar plataformas estrangeiras a engenharia brasileira desenvolve soluções para condições que simplesmente não existem em outros países: “O OF eletrificado é um exemplo disto”, lembra Barbosa. O mesmo vale para veículos de maior capacidade, configurações específicas e adaptações para diferentes topografias e condições de operação. É uma inversão interessante da lógica tradicional de indústria multinacional. O Brasil não é apenas consumidor de tecnologia desenvolvida fora. Em determinadas famílias tornou-se desenvolvedor. A CHINA NA SALA Barbosa reconhece que a chegada de mais concorrentes significa maior pressão sobre participação e preços. Mas ele também lembra uma característica peculiar do mercado brasileiro que a Mercedes-Benz sempre soube aproveitar: as empresas de ônibus têm relações históricas e familiares muito fortes com seus fornecedores. Isso cria uma barreira de entrada que não aparece em uma tabela de preços. Um operador pode comprar um veículo chinês para testar. O verdadeiro julgamento virá depois de cinco, oito ou dez anos de operação. A questão será saber como esse veículo se comportará, como funcionará o pós-venda, quanto custará a manutenção, qual será sua disponibilidade e qual será seu valor de revenda. É nesse campo que a Mercedes-Benz pretende jogar. Nos caminhões a lógica é semelhante. Ferrarez não aposta em uma guerra de preço contra os chineses. A defesa está na oferta de disponibilidade, rede, conhecimento da operação brasileira e custo total de operação, o TCO. A companhia sabe que não pode simplesmente afirmar que seu produto é melhor. Precisa provar que ele produz mais resultado. MOTORISTA VOLTA AO CENTRO Há ainda um elemento que aproxima as estratégias de caminhões e de ônibus: o motorista. A escassez de profissionais já deixou de ser apenas uma questão trabalhista. É uma variável industrial. ESPECIAL MERCEDES-BENZ 70 ANOS » MARKETING & MERCADO
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