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71 AutoData | Setembro 2026 Um caminhão ou ônibus cada vez mais sofisticado exige um profissional capaz de operar seus sistemas corretamente. Ao mesmo tempo um veículo difícil de conduzir ou que gere baixa produtividade perde valor para o operador. Ao longo dos anos a Mercedes-Benz ampliou iniciativas de formação, com unidades móveis, centros de treinamento e parcerias para capacitação. Nos ônibus o desafio inclui motoristas, mecânicos e eletricistas. Na eletrificação essa questão ganha outra dimensão porque boa parte da mão de obra formada durante décadas aprendeu a trabalhar com motores diesel. A disponibilidade do ônibus elétrico ainda é afetada por essa curva de aprendizado. Mas Barbosa vê a tendência se invertendo. À medida que uma nova geração de profissionais se formar em torno da tecnologia elétrica a expectativa é que a disponibilidade dos veículos elétricos supere a dos modelos diesel. A transição, portanto, não é apenas tecnológica. É humana. ESCUTAR CADA VOZ Ao olhar para os próximos anos os dois executivos chegam a conclusões próximas, mesmo falando de produtos diferentes. Ferrarez enxerga na prestação de serviços a principal oportunidade de diferenciação. Barbosa fala em experiência do cliente, manutenção, telemetria e soluções para melhorar a operação. A Mercedes-Benz deixou de enxergar o veículo como ponto final da venda para tratá-lo como o centro de um ecossistema. O produto precisa ser eficiente. Mas também precisa ser fácil de operar. Precisa estar conectado. Precisa ter peças disponíveis. Precisa contar com uma rede que responde rapidamente às necessidades. Precisa permitir que o cliente saiba quando vai parar e, principalmente, evitar que pare. É por isto que a próxima geração de soluções não necessariamente será definida por uma tecnologia específica, mas pela capacidade de resolver a operação. Diesel continuará existindo. Biodiesel ganhará espaço. Gás terá aplicações específicas. Elétricos avançarão principalmente onde houver infraestrutura e modelo econômico. Hidrogênio e automação continuam no radar global, esperando que legislação, infraestrutura e custo permitam sua chegada em escala. O futuro, portanto, não será uma tecnologia substituindo outra de maneira linear. Será uma indústria oferecendo diferentes respostas para diferentes operações. Nesse ambiente “ouvir cada voz” do mercado deixa de ser só uma declaração institucional. É também uma obrigação estratégica. Porque, depois de setenta anos, o desafio da Mercedes-Benz já não é provar que sabe fabricar caminhões e ônibus. É provar que sabe exatamente o que o cliente precisa que esses veículos façam.

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