117 AutoData | Outubro 2026 Embora ainda representem apenas 2,8% da produção as motocicletas de alta cilindrada registram expansão expressiva. O desempenho abre espaço para produtos de maior valor agregado e para fabricantes que buscam competir em categorias que, historicamente, têm menor participação no volume total brasileiro. A CFMoto é um dos exemplos dessa movimentação. Representada no País pelo Grupo Unique a marca chinesa iniciou a montagem local de modelos como a trail Ibex 450 e a Ibex 700, além das custom da família CL-C. A operação está em expansão: a empresa pretende elevar a capacidade produtiva em Manaus de 10 mil para cerca de 18 mil motocicletas por ano até o início de 2027. A chegada da naked 450NK, prevista para o primeiro semestre do próximo ano, deve ampliar a oferta no segmento intermediário. A Royal Enfield também aposta nesta faixa de mercado, com uma linha concentrada em modelos de média cilindrada. A fábrica própria, prevista para 2027, acompanha a ambição de ampliar as vendas no Brasil e reforça a importância do País nos negócios da empresa. “Nos últimos anos quadruplicamos nossas vendas no País e aumentamos a capilaridade da nossa rede de concessionárias”, relata Gabriel Pattini, diretor executivo da empresa no Brasil e na América Latina. “A Royal Enfield não fica presa a market share, mas temos uma visão de longo prazo para o Brasil. Já temos novidades para 2027, mas também para os anos seguintes.” A expansão destas categorias não significa que as motos maiores substituirão os modelos de entrada como principal motor do mercado. A escala continua concentrada nas motocicletas de menor cilindrada, ligadas à mobilidade cotidiana e ao trabalho. A oportunidade para a indústria está em combinar este volume com uma oferta mais diversificada, capaz de alcançar consumidores com diferentes necessidades, níveis de renda e disposição para investir em uma motocicleta. EXPORTAÇÕES ADICIONAM VOLUME O mercado doméstico continua sendo o principal destino da produção nacional, mas as exportações também avançaram em 2026. De janeiro a setembro as fabricantes associadas à Abraciclo embarcaram 36,5 mil motocicletas, volume 23,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O aumento oferece uma oportunidade complementar para a indústria, embora o volume exportado ainda seja pequeno diante da produção destinada ao Brasil. A continuidade do avanço dependerá das condições dos mercados compradores e da competitividade dos produtos fabricados no País. Para 2027 a expansão externa pode ajudar a diversificar os destinos da produção e aproveitar parte da capacidade instalada, mas a competitividade das motocicletas esbarra na regulamentação de cada país. Na América Latina, por exemplo, as leis de emissões e ruídos menos restritas em países vizinhos, como Colômbia e Argentina, ainda tornam as motos brasileiras caras em outros mercados. Uma regra mais igualitária está na pauta das fabricantes instaladas em Manaus. Divulgação/Triumph
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