12 FROM THE TOP » TADEU SILVA, ACREFI Outubro 2026 | AutoData extrajudicial por meio dos Detran continua em discussão na Suprema Corte. Enquanto esta questão não for pacificada o mecanismo opera de forma parcial e desigual nos estados. Hoje dependemos prioritariamente dos cartórios [para executar a retomada do bem], o que limita a agilidade esperada. Em testes práticos feitos no Mato Grosso do Sul e em São Paulo o prazo médio para resolução de inadimplência caiu de 118 para trinta dias. Esta celeridade é essencial porque o objetivo das instituições não é ficar com o bem, mas sim renegociar ou ter previsibilidade jurídica. Defendemos a participação ativa dos Detran para dar escala a este processo, o que reduzirá o risco do crédito e se reverterá em queda nas taxas de juros. Apesar dos cinco cortes seguidos na taxa Selic os juros básicos da economia seguem em patamar elevado, em 13,75% ao ano. Qual trajetória do índice a Acrefi projeta para os próximos meses? Temos um horizonte curto, com a próxima reunião do Copom [Comitê de Política Monetária do BC] marcada para o início de novembro. Acreditamos que ainda haverá espaço para ajuste no juro este ano, a depender do cenário eleitoral e fiscal, projetando que a Selic feche o período em torno de 13,5% ao ano. O juro básico caiu mas as taxas para financiamento de veículos continuam elevadas. Em março, com a Selic a 15%, a taxa média de financiamento a pessoas físicas era de 26,6% ao ano, o que representava spread de 11,6 pontos. Com a Selic agora a 13,75% a taxa média permaneceu quase inalterada, em 26,4%, elevando o spread para 12,65 pontos. Por que o custo do financiamento de veículos não cai na mesma proporção da Selic? A Selic é apenas um dos componentes na formação do preço final do crédito. A taxa cobrada ao consumidor inclui o custo de captação – que paga Selic mais uma margem ao investidor –, custos de cobrança, tributação e a estimativa de perda por inadimplência. O que ocorreu nos últimos meses foi uma elevação expressiva da inadimplência. Esse aumento no risco de perda neutralizou o efeito benéfico da queda da Selic e expandiu o spread financeiro. Como o crédito se baseia fundamentalmente em confiança e previsibilidade, a elevação das incertezas obriga a inclusão dessa margem de risco no preço final. “ Tivemos um salto significativo na inadimplência. A causa principal foi a permanência da taxa Selic acima de 12% por um longo período. Outro elemento relevante foi o desvio de renda das famílias para apostas eletrônicas, as bets. Muitos tomadores aprovados no crédito comprometeram seu orçamento meses depois nessas plataformas. A inflação acumulada também reduziu a renda disponível.”
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