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19 AutoData | Outubro 2026 no futuro. As análises publicadas nesta edição indicam claramente oportunidades de crescimento, restrições financeiras e maior pressão competitiva. Os movimentos serão diferentes entre os segmentos: automóveis disputarão consumidores com uma oferta renovada; caminhões dependerão da capacidade de investimento dos transportadores; e ônibus vão continuar precisando combinar financiamento, renovação privada e compras públicas. A EXPANSÃO E SEUS LIMITES Em 2026 a demanda se comportou muito positivamente mesmo com o financiamento sendo caro e seletivo. Ao mesmo tempo, a nova concorrência ampliou a oferta e pressionou condições comerciais. Com tudo isso, estímulos e a necessidade de substituir veículos também movimentaram o mercado. O presidente da Acrefi, Tadeu Silva, em sua entrevista From The Top publicada na abertura desta edição, relacionou a expansão dos financiamentos à necessidade de trocar o carro usado, à utilização de veículos como instrumento de trabalho e à concorrência intensificada pela chegada de marcas chinesas com preços atraentes. O diagnóstico ajuda a explicar o avanço das vendas e do crédito, apesar das restrições macroeconômicas representadas por juros e inadimplência em alta. A avaliação dos consultores dá sustentação à hipótese de que a disputa pelo comprador passou a compensar parte das dificuldades econômicas. Murilo Briganti, diretor de operações da Bright Consulting, identificou reduções no preço do zero- -quilômetro e migração de compradores de seminovos para novos diante da oferta mais competitiva. Já Roberto Barros, da Mobility Global, atribuiu mais da metade da queda de preços à concorrência chinesa, enquanto Igor Calvet, presidente da Anfavea, informou reduções de 6% a 7% em algumas categorias, além das promoções. As avaliações não representam uma queda uniforme de preços. Descontos, campanhas e maior conteúdo tecnológico IA Gemini ampliaram a atratividade das ofertas. Mas há um custo para sustentar essa dinâmica: vender mais pode exigir margens menores, maior apoio financeiro e uma administração mais cuidadosa dos estoques. Sustentar esse impulso em 2027, no entanto, será muito mais difícil. Promoções têm limites, estímulos podem ter prazo e a base de comparação será maior. Será preciso distinguir o avanço da capacidade de compra do efeito de condições excepcionais oferecidas pelo governo e pelas empresas. O ambiente macroeconômico também recomenda cautela. Dentre os economistas ouvidos nesta edição, as projeções de PIB para 2027 vão de 1,1% a 1,8%. Haroldo Silva, presidente do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo, trabalha com a menor taxa desse intervalo, enquanto Tereza Fernandez, consultora econômica da Fenabrave, apresenta uma faixa de 1,5% a 1,8%. As projeções de Selic também variam: Silva considera uma redução até 11%, e Fernandez trabalha com 12,5% a 13%. As diferenças não impedem uma leitura comum: a economia poderá crescer, mas os juros continuarão relevantes nas decisões de consumo e investimento. Uma taxa menor em dezembro também não equivale a financiamento barato ao longo de todo o ano. Inadimplência, risco, entrada exigida e critérios de aprovação

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