48 Outubro 2026 | AutoData PERSPECTIVAS 2027 » IMPORTAÇÕES CHINA ASSUME A LIDERANÇA Nenhuma origem cresceu tanto como a chinesa. Em 2022 estes veículos eram apenas 2% dos importados emplacados no Brasil. A fatia subiu para 11,6% em 2023, para 27,2% em 2024 e para 42% em 2025. Segundo levantamento da Bright, de janeiro a setembro deste ano foram 345,3 mil unidades trazidas da China montadas e desmontadas, alta de 175,6%, o equivalente a 65,8% de todos os importados. Em agosto a participação chegou a 73%. A Anfavea, que inclui na conta somente os veículos desembarcados no País já montados, registra 463,9 mil importados no acumulado de 2026 até setembro, em alta de 30,4%, e também aponta a China na dianteira. “Se no mesmo período do ano passado já tínhamos 123 mil unidades emplacadas da China hoje a soma atinge 255 mil unidades”, apontou o presidente da entidade, Igor Calvet. Enquanto isso as importações da Argentina caíram 14% e as do México subiram cerca de 35%. Um estudo da consultoria K.Lume, assinado por Milad Kalume Neto e Máia Martins, mostra a dimensão da virada: a origem chinesa saltou de 0,5% dos emplacamentos de carros de passeio em 2016 para 21,4% em 2026, tornando-se a maior fonte de importação de veículos do mercado brasileiro, à frente da alemã com 19,5%. No mesmo período os Estados Unidos caíram de 31,3% para 16,5%, e o Japão de 20,5% para 13,8%. A frota chinesa em circulação no País já soma cerca de 993 mil unidades. IMPOSTO DE 35% AINDA NÃO FREOU A vantagem tributária dos eletrificados importados vem sendo retirada aos poucos, desde janeiro de 2024, e o imposto de importação voltou à alíquota cheia de 35% em julho de 2026 para veículos montados. O efeito sobre as vendas, por ora, é limitado. Em setembro a BYD recuou de 9,4% para 8,2% de participação de mercado, mas Cássio Pagliarini, diretor de marketing da Bright Consulting, não vê relação direta com a tarifa. A cota de US$ 463 milhões com alíquota reduzida ainda está sendo consumida e os preços não mudaram. Os estoques também são altos: segundo a Anfavea há 187 mil importados nos pátios à espera de compradores, incluindo os montados no País com kits importados CKD/SKD, o equivalente a 127 dias de venda, contra 23 dias dos nacionais. “Um aumento de imposto poderia ser compensado com o aumento do preço para absorver a diferença, mas nenhuma chinesa aumentou o preço”, afirma Pagliarini. “Veja que até empresas sem plano definido de produção local não estão aumentando preços.” Para o consultor a conta das chinesas já inclui a montagem local: “Acreditamos que a produção em regime CKD dentro dos limites de conteúdo regional, 35% no primeiro ano, 40% no segundo ano e 50% no terceiro ano, está dentro das contas das chinesas que estão localizando por aqui e não aumentarão preço”. IMPORTADOS MONTADOS AQUI O movimento já aparece nos números. Pelos dados da Anfavea mais de 100 mil dos 434 mil eletrificados emplacados este ano no País saíram de kits CKD/SKD. As treze marcas associadas à Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, emplacaram 187,5 mil automóveis Linha da BYD em Camaçari: montagem de kits importados disfarçada de produção nacional. Divulgação/BYD
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