58 Outubro 2026 | AutoData PERSPECTIVAS 2027 » VEÍCULOS LEVES Ele também alerta que uma abertura comercial rápida, inclusive para produtos asiáticos, aprofundaria as assimetrias do mercado. Para Briganti a sinalização econômica pesa mais que o nome eleito à Presidência da República: “Se houver percepção de responsabilidade fiscal e previsibilidade isso tende a ajudar câmbio, curva de juros, confiança e, consequentemente, crédito e consumo”. O câmbio importa especialmente porque mesmo os veículos produzidos no País usam muitos componentes importados. No cenário adverso da Bright, com piora fiscal, câmbio pressionado e juros altos por mais tempo, as vendas recuariam 5% em 2027. Nos investimentos o consultor vê mais risco de adiamento do que de cancelamento: “A indústria trabalha com horizontes muito maiores do que um mandato presidencial”. REFORMA TRIBUTÁRIA O ano que vem marca a transição da reforma tributária: a CBS entra em vigor no lugar de PIS e Cofins, que deixam de existir, o IPI é zerado para a maior parte dos produtos e começa a cobrança do Imposto Seletivo. A indefinição das alíquotas preocupa a indústria e a mudança de regime deve levar as empresas a reduzir estoques até dezembro. Briganti evita apostar em um efeito único nos preços: “Eu evitaria dizer que a reforma necessariamente vai deixar todos os carros mais caros ou mais baratos. O impacto deve variar bastante conforme tecnologia, motorização, nível de emissões e enquadramento tributário de cada produto”. GUERRA DE PREÇOS O que sustenta o volume alto, mesmo com crédito caro, é a queda de preços provocada pelas marcas chinesas. “Depois de muitos anos voltamos a observar reduções de preço no zero-quilômetro”, afirma Briganti. Segundo Calvet levantamento da Anfavea mostra que os preços caíram de 6% a 7% em algumas categorias, além das promoções, o que comprime as margens das montadoras. Pelos cálculos da Mobility Global o preço médio de lista é ponderado pelo volume de vendas, que passou de R$ 180 mil no início de 2026, caiu para cerca de R$ 167 mil, e o preço efetivamente praticado pode estar de 10% a 20% abaixo disso, com descontos que chegam a R$ 50 mil. Mais da metade da queda, segundo Barros, se deve à competição chinesa. A disputa chegou aos seminovos, com montadoras pagando pelo usado acima da tabela: “A ação de valorização de usados que eles estão fazendo é algo completamente insustentável no longo prazo”. Para o analista a instabilidade deve durar pelo menos até meados de 2027, quando os lançamentos de maior volume das chinesas estiverem estabelecidos. Para o consumidor a régua mudou, diz Briganti: “Depois que o consumidor experimenta esse nível de conteúdo é “ Haverá um crescimento baixo com relação a 2026. O maior risco é o endividamento das famílias e a taxa de inadimplência. Isto pode afetar ainda mais o cenário de crédito.” Roberto Barros, Mobility Global Arquivo Pessoal
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