59 AutoData | Outubro 2026 muito difícil convencê-lo a pagar o mesmo valor por um produto muito mais simples”. VENDAS DIRETAS PERTO DA METADE As consultorias convergem: a venda direta deve seguir representando perto de metade do mercado em 2027. A Bright prevê que a modalidade, com cerca de 48% dos emplacamentos em 2026, chegue a 49% ou 50% em 2027, com as novas marcas também atendendo locadoras e frotistas. Briganti diz que “não vemos uma perda estrutural de relevância da venda direta. Ao contrário ela deve continuar crescendo”. A Mobility Global vê o canal praticamente empatado com o varejo, depois de chegar a 55% em alguns meses de 2024 e 2025. Barros espera leve queda nos próximos meses, com as chinesas vendendo mais no varejo, e nova alta com a chegada das picapes chinesas. A Mobility Global já considera em sua previsão para 2027 a picape BYD Mako, híbrida plug-in flex que será montada em Camaçari, BA, para enfrentar a Fiat Toro, e prevê para 2029 uma outra picape híbrida menor da marca, para competir em preço nas vendas diretas. AVANÇO CHINÊS As marcas chinesas devem fechar 2026 com cerca de 20% do mercado. Pelas projeções da Bright podem responder por 33% das vendas de veículos leves em 2030 se as tradicionais reagirem rápido em produto, tecnologia e preço, ou chegar perto de 40% se a concorrência dormir no ponto. “Dois ou três anos de atraso hoje representam muito. O ritmo de desenvolvimento de produto dos chineses é extremamente rápido”, pontua Briganti. A Mobility Global elevou em setembro para 40% sua projeção de participação de marcas chinesas no Brasil e no Mercosul em 2038, lembra Barros: “Quando eu ia às montadoras o seu pessoal já se assustava com esses 25%. Mas agora, quando a gente olha, eles já estão fazendo 20%”. Para Arcélio Jr o País vive “uma segunda onda de novas marcas”, como a dos anos 1990, com fatias de mercado “cada vez mais acirradas”. Em sua visão a competição tende a ficar “bastante alinhada em favor do consumidor, que tem e continuará tendo muitas opções de escolha no mercado”. A Fenabrave, ele destaca, recebe os novos competidores “de forma aberta”, mas cobra isonomia e respeito à Lei Renato Ferrari, que regula a relação das montadoras com os concessionários: “Sem isso não haverá como uma marca avançar no Brasil”. A produção local, mesmo que com muitos componentes importados, muda o jogo. A GWM prevê fabricar 32 mil unidades em Iracemápolis, SP, em 2026, e a BYD deve passar de 200 mil em Camaçari, BA. “Elas já provaram que conseguem vender. O próximo passo é provar que conseguem construir uma cadeia industrial no Brasil”, diz Briganti. “ Acredito que para os veículos leves 2027 ainda será um ano de expansão, mas com dois fatores de observação: começaremos a ter uma inadimplência maior e, possivelmente no segundo semestre, restrição de crédito para pessoas físicas.” Igor Calvet, Anvafea Divulgação/Anfavea
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