80 Outubro 2026 | AutoData PERSPECTIVAS 2027 » CAMINHÕES O executivo também avalia um cenário adverso em que os juros básicos da economia permaneçam na casa dos 15% e não haja novos estímulos ao crédito. Nesta hipótese o mercado poderia perder de 5 mil a 15 mil unidades com relação a um cenário mais favorável. Trata-se de uma simulação de risco e não da projeção central da BIM³ para 2027. O efeito não seria igual para todas as empresas. Transportadoras maiores tendem a ter mais instrumentos para planejar a renovação e negociar condições comerciais. Já operadores menores podem enfrentar mais dificuldades para financiar veículos novos e absorver oscilações de custos. A análise reforça a importância do custo total de propriedade, conhecido pela sigla TCO. O preço de compra é apenas uma parte da conta. Consumo, manutenção, disponibilidade de peças, produtividade e valor de revenda influenciam o custo por quilômetro e, consequentemente, a rentabilidade do transportador. DIFERENTES GESTÕES DE FROTA Roberto Leoncini também projeta um mercado próximo dos resultados dos últimos anos. Para ele o crédito continuará a ser o principal fator de influência sobre as vendas, enquanto as condições do agronegócio e da atividade de transporte podem alterar o nível de utilização dos veículos. “O negócio de caminhões é tocado na base do crédito. Ele precisa de crédito”, observa o consultor. Na sua avaliação, se o financiamento continuar caro, o mercado deve permanecer próximo da faixa de 100 mil a 110 mil unidades, sem grandes picos ou quedas. Leoncini considera muito difícil um resultado inferior a 98 mil caminhões vendidos, mas também não vê condições para chegar a 130 mil unidades mesmo com uma possível queda da Selic para 12%. Para alcançar esse patamar mais alto seria necessário um ambiente de financiamento mais favorável, capaz de estimular a antecipação das compras e uma renovação mais ampla das frotas. Por isto uma eventual redução dos juros pode melhorar o ambiente de negócios, mas seu efeito dependerá da intensidade e da continuidade do movimento. Para a PSR o cenário central segue de estabilidade, com viés de alta caso o financiamento fique mais acessível. ESTABILIDADE NO HORIZONTE A projeção da BIM³ também aponta para um mercado andando de lado. Boschi trabalha com vendas de 104 mil a 110 mil caminhões em 2027, faixa semelhante à estimada para 2026. A produção pode recuar para 112 mil a 116 mil unidades, ante uma expectativa de 116 mil a 121 mil neste ano. O consultor considera que a decisão de compra depende da combinação de crédito, rentabilidade e retorno operacional. Não basta que a transportadora tenha carga para movimentar. Ela precisa gerar receita para cobrir combustível, manutenção, pedágios, salários e parcelas do financiamento, além de manter margem que justifique o investimento. “ Vemos que o mercado de caminhões deve ficar estável no ano que vem. Não estamos visualizando queda.” Priscila Spadine, PSR Arquivo Pessoal
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