82 Outubro 2026 | AutoData PERSPECTIVAS 2027 » CAMINHÕES A safra agrícola deve contribuir para a atividade de transporte em 2027. Entretanto o consultor chama a atenção para um possível efeito climático sobre a logística. Se a seca comprometer a navegação de barcaças nos portos do Arco Norte parte da carga poderá migrar temporariamente para o transporte rodoviário. Essa mudança aumentaria a utilização dos caminhões em rotas mais longas e poderia melhorar o caixa das transportadoras. O efeito sobre a compra de veículos novos, contudo, não é necessariamente positivo. “Isso pode ajudar o caixa dos transportadores e incentivar alguma tomada de decisão de investimento”, pondera Leoncini. “Mas, ao mesmo tempo, pode tomar parte da frota que ia ser renovada para ser utilizada. Aí não renova e não compra um novo caminhão.” O impacto, portanto, dependerá de como cada empresa administrará a frota disponível. Uma alta temporária na demanda pode melhorar a receita e estimular investimentos, mas também pode levar o transportador a prolongar o uso dos veículos atuais para aproveitar a capacidade instalada. Leoncini ainda destaca a diferença de investir em capacidade industrial e vender caminhões. As fabricantes têm ampliado seus portfólios e preparado produtos para o mercado, mas a demanda não acompanha necessariamente o ritmo destes investimentos. Para a indústria a estabilidade prolongada dificulta a ocupação da capacidade das fábricas e a obtenção do retorno esperado. DESAFIOS PARA A INDÚSTRIA A Anfavea, que reúne os fabricantes no País, ainda não apresentou uma projeção específica para 2027. O presidente da entidade, Igor Calvet, chamou a atenção para os desafios que afetam o mercado, como o custo do financiamento, a inadimplência, as restrições de crédito e a competitividade da produção nacional. A revisão das expectativas para 2026 ajuda a dimensionar o ponto de partida. A Anfavea projeta 107 mil emplacamentos de caminhões neste ano, queda de 5,7% com relação a 2025. A produção deve alcançar 115,6 mil unidades, recuo de 6,8%, enquanto as exportações podem somar 22,5 mil veículos, baixa de 16,6%. De janeiro a setembro o setor registrou a venda de 80,9 mil caminhões, redução de 3,8% na comparação anual. A produção chegou a 92,3 mil unidades, queda de 6,4%, e as exportações totalizaram 17 mil veículos, retração de 21,3%. O desempenho das vendas internas, da produção e das exportações não segue a mesma trajetória. Enquanto os emplacamentos refletem a demanda no Brasil a produção também depende da programação industrial e dos estoques. As exportações, por sua vez, respondem às condições dos mercados externos e à competitividade dos veículos brasileiros. Essa distinção ganha importância em 2027. Mesmo que as vendas internas per- “ Alguns caminhões importados chegam com preços significativamente inferiores do que os praticados por fabricantes tradicionais, o que amplia a pressão sobre as marcas estabelecidas.” Gregori Boschi, BIM³ Arquivo Pessoal
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