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85 AutoData | Outubro 2026 Esta possibilidade, porém, depende das decisões de investimento das empresas, dos custos de produção e das condições efetivas de acesso aos mercados. A mudança também pode afetar projetos de localização de produtos. As montadoras precisam avaliar quais modelos faz sentido fabricar no Brasil, quais componentes podem vir de outras unidades e quais mercados podem receber a produção nacional. O acordo não significa, por si só, uma transferência automática de fábricas ou investimentos. Ao mesmo tempo exigências relacionadas à pegada de carbono podem criar novas diferenças competitivas para os fabricantes. Investimentos em eficiência e descarbonização podem se tornar mais relevantes para acessar determinados mercados e atender às exigências de clientes. O impacto dependerá da evolução da regulamentação e das condições de cada operação. FENATRAN NÃO GARANTE PEDIDOS A Fenatran, de 9 a 13 de novembro no SP Expo, deve ampliar a exposição dos novos caminhões e das tecnologias disponíveis, mas ninguém considera que o evento seja um catalisador capaz de mudar a trajetória do mercado. Leoncini avalia que as feiras têm papel importante na divulgação de produtos e no relacionamento de fabricantes com clientes. Mas a compra de um caminhão exige análise aprofundada de custos, negociação e planejamento financeiro. Por isto a apresentação de uma novidade não significa que o pedido será fechado imediatamente. A lógica vale tanto para as marcas tradicionais quanto para as estreantes. O interesse despertado por um lançamento precisa se transformar em uma proposta comercial competitiva, com condições de financiamento, prazo de entrega e estrutura de atendimento. A renovação das frotas também depende da capacidade de o transportador prever receitas e custos ao longo do período de financiamento. Se o cenário permanecer incerto mesmo uma oferta tecnicamente atraente pode não ser suficiente para antecipar a compra. SEM CRESCIMENTO NO HORIZONTE Todos os fatores indicam que o mercado de caminhões deve entrar em 2027 com espaço limitado para uma recuperação expressiva. O quadro é de estabilidade. Para as transportadoras o desafio será equilibrar a necessidade de renovar os veículos com a capacidade de financiar a compra e preservar a rentabilidade. Para as fabricantes será transformar investimentos em produtos e capacidade industrial em pedidos efetivos, sem depender apenas de estímulos pontuais. A concorrência de importados pode acelerar mudanças de preços, produtos e ações de atendimento. Já as tecnologias alternativas devem ampliar sua presença gradualmente, sobretudo nas aplicações em que infraestrutura e custo de operação favoreçam sua adoção. A redução dos juros pode melhorar todo o cenário, mas não será suficiente se o transporte continuar com margens apertadas ou se o acesso ao crédito permanecer restrito. Em 2027 a diferença de um mercado estável para uma recuperação mais consistente dependerá da combinação de condições financeiras, retorno operacional e capacidade de resposta da indústria. Divulgação/VWCO

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