84 Outubro 2026 | AutoData PERSPECTIVAS 2027 » CAMINHÕES O perfil da rota, a distância percorrida, a carga transportada e o tempo disponível para recarregar determinam a viabilidade de cada aplicação. Nos segmentos médios e pesados os modelos a gás devem avançar em nichos específicos, segundo a consultoria. A mesma lógica vale para o biometano, que pode atender operações com disponibilidade de combustível e condições favoráveis de abastecimento. Em vez de uma substituição rápida do diesel a tendência é de convivência das diferentes soluções. A decisão de compra dependerá do custo total de operação e da infraestrutura disponível para cada aplicação. A pressão por eficiência energética e redução de emissões também pode alterar a concorrência. Fabricantes que conseguirem oferecer soluções compatíveis com as necessidades das transportadoras terão mais condições de conquistar espaço. Entretanto o custo de aquisição e a capacidade de manter o veículo em operação continuarão a influenciar a decisão. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA Além de financiamento caro e de disputa comercial mais acirrada a reforma tributária é outro ponto de atenção para fabricantes e transportadoras. Leoncini destaca que a mudança na forma de recolhimento dos tributos pode alterar o fluxo de caixa de empresas que hoje utilizam o prazo da emissão da nota fiscal ao pagamento dos impostos para administrar o capital de giro. Segundo o consultor a antecipação do recolhimento pode retirar recursos que permaneciam temporariamente disponíveis na operação. As empresas terão de adaptar a gestão financeira e, em alguns casos, buscar capital de giro para cobrir a diferença: “Ou eu vou ter de buscar capital de giro ou vou ter de fazer a gestão do meu caixa de uma maneira diferente”. O efeito dependerá das regras aplicáveis a cada operação e da capacidade das empresas de reorganizar seus processos. Para um setor que depende de financiamento para comprar ativos de alto valor, mudanças no capital de giro podem influenciar tanto a decisão de compra quanto a capacidade de honrar compromissos financeiros. MERCOSUL E UNIÃO EUROPEIA O possível acordo comercial do Mercosul com a União Europeia também pode abrir oportunidades para a indústria instalada no Brasil, conforme a avaliação de Leoncini. A redução gradual de tarifas, caso avance conforme as regras negociadas, pode estimular o intercâmbio de componentes e levar fabricantes a rever a distribuição global da produção. O consultor vê espaço para que o Brasil amplie sua participação como fornecedor de motores, transmissões e outras peças para unidades industriais no Exterior. “ O negócio de caminhões é tocado na base do crédito. Se o financiamento continuar caro o mercado deve permanecer próximo da faixa de 100 mil a 110 mil unidades, sem grandes picos ou quedas.” Roberto Leoncini, consultor Arquivo Pessoal
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