92 Outubro 2026 | AutoData PERSPECTIVAS 2027 » ÔNIBUS Esse calendário pode influenciar diretamente o resultado industrial. Quando os pedidos entram em produção e as entregas se concentram em determinado exercício, o volume fabricado cresce mesmo que as compras de outros segmentos não acompanhem a mesma trajetória. É justamente este efeito que sustenta a projeção da PSR para 2027. Priscila considera que a entrega de cerca de 7 mil ônibus escolares contribuirá para elevar a produção a 31 mil unidades. A expectativa não significa, contudo, que todos os segmentos do mercado terão crescimento equivalente. Boschi também identifica os programas públicos como uma fonte de oportunidade, mas ressalta que as compras governamentais dependem de orçamento, licitações e cronogramas. O impacto varia de ano para ano e pode não se repetir com a mesma intensidade. Por isto os fabricantes precisam considerar o calendário das encomendas ao planejar a produção. A dependência de licitações torna o mercado mais irregular. Uma contratação de grande porte pode sustentar o volume industrial por vários meses mas o intervalo até a próxima concorrência pode abrir lacunas na carteira de pedidos. Sem uma renovação contínua das frotas públicas e privadas a produção fica mais vulnerável a oscilações. CRÉDITO CARO ADIA A RENOVAÇÃO A dificuldade de financiar veículos novos aparece como um dos principais entraves ao crescimento do mercado. Operadores urbanos e rodoviários precisam substituir ônibus antigos e manter a qualidade do serviço mas enfrentam juros elevados e critérios mais restritivos para a concessão de crédito. Bisi avalia que a situação financeira das empresas de transporte urbano continua delicada desde a pandemia. A recuperação da demanda não eliminou a pressão sobre os custos operacionais e os aumentos do diesel e de outras despesas nem sempre chegam integralmente às tarifas. Com menos margem financeira as empresas priorizam despesas imediatas e adiam a renovação dos veículos. O dirigente também aponta que a inadimplência e os pedidos de recuperação judicial aumentaram a cautela das instituições financeiras. Mesmo quando o operador precisa comprar ônibus a aprovação do financiamento pode se tornar mais difícil. E quando consegue o crédito a prestação pode comprometer uma parcela elevada da receita. A situação não se restringe ao transporte urbano. No segmento rodoviário a aquisição de veículos exige investimentos altos, enquanto que o retorno depende da ocupação, das tarifas e da frequência das viagens. O consultor Roberto Leoncini pontua que um ônibus rodoviário de dois andares representa um desembolso expressivo para a empresa. Com custo de capital elevado a conta fica mais difícil de fechar, sobretudo quando a receita não acompanha o valor da prestação. O mercado rodoviário ainda encontra apoio no turismo doméstico, no transporte de funcionários e nas viagens de longa distância. O encarecimento das passagens aéreas também pode favorecer parte da demanda por ônibus. Estes fatores, entretanto, não eliminam o obstáculo financeiro para renovar ou ampliar a frota. Bisi observa que o programa Move Brasil despertou interesse de operadores Divulgação/MB
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