São Paulo – A Stellantis possui plano robusto de eletrificação de seus modelos fabricados no Brasil a partir do ano que vem. Esta nova etapa começará pelo sistema mild hybrid, que será apresentado até o fim de 2024, afirmou o vice-presidente para assuntos regulatórios, João Irineu, durante o segundo dia do Seminário Elétrico + ESG, realizado por AutoData.
Há uma semana, quando a Stellantis divulgou que o primeiro híbrido flex sairá de Goiana, PE, onde são fabricados os SUVs Jeep Renegade, Compass e Commander, e as picapes Fiat Toro e a Ram Rampage, ela não havia informado por qual sistema iniciaria a produção de veículos com a nova tecnologia. O primeiro modelo ainda segue em sigilo.
Como apresentou Irineu o sistema de entrada para o universo da eletrificação da companhia no Brasil terá um motor elétrico de 3 kW de potência e uma bateria de íon-lítio de 1 Kwh, responsáveis pela redução de 7% a 10% do consumo de combustível: “Esta bateria, para ser ter ideia, é sessenta vezes menor do que a utilizada em um carro 100% elétrico”.
O sistema, chamado de elétrico híbrido multifuncional dotado da tecnologia Bio-Hybrid, carregará a bateria enquanto gera torque adicional, terá função que transforma a energia elétrica armazenada em mecânica, função que permite que o veículo continue em movimento com o câmbio desacoplado ou mesmo com o motor desligado, e ganhará nova geração do botão start-stop.
Além do mild hybrid a Stellantis fabricará localmente também modelos com dois motores elétricos, híbrido plug-in e 100% elétrico. E continuará produzindo também veículos flex, usufruindo da matriz energética composta em 48% por energia renovável – melhor do que este índice, mostrou o executivo com base em dados da IEA, Agência Internacional de Energia, só a Noruega, com 51% de energia renovável.

“Destaque para o fato de que, quando se compara com outros países, apenas o Brasil conta, atualmente, com 36% dos carros de sua frota circulante de baixo carbono.”
Irineu lembrou também que um veículo movido a etanol emite 26 toneladas de CO2 e que um 100% elétrico na Europa emite 30 toneladas. Para efeito de comparação unidade movida a bateria no Brasil emite 23 toneladas de CO2.
“A emissão de CO2 de um carro produzido no Brasil é um terço da emissão do mesmo veículo fabricado na Europa, o que é motivo de orgulho.”
No País 13% das emissões são oriundas do setor de transporte.
João Irineu chamou atenção, porém, para o fato de que a descarbonização tem de ser compromisso de todos os setores, ao destacar que 11% das emissões está na fabricação de componentes do veículo, das quais 80% são provenientes dos processos produtivos do aço, do alumínio e do plástico.
Considerando todo o ciclo de vida as emissões do processo de montagem respondem por 1%, o uso do veículo por 85%, e 3% correspondem ao desmonte e descarte do carro e a sua reciclagem — com o que evita-se minerar tudo de novo que for necessário para produzir um veículo do zero.
“O Brasil reúne todas as condições de ser protagonista desse processo e de exportar veículos, componentes e tecnologia eletrificada para países que, sozinhos, não conseguirem evoluir. Pode tornar-se referência em baixo carbono sem ter de migrar totalmente para a eletrificação. Mas todos têm de mitigar, se não corremos o grande risco de ficar de fora dessa corrida.”