São Paulo – Biocombustíveis e gás natural serão os protagonistas do futuro de curto prazo no mercado brasileiro, e em muitos outros países do Hemisfério Sul, no segmento de veículos comerciais pesados, com os elétricos ganhando espaço em rotas específicas. Esta é a aposta de Christopher Podgorski, CEO e presidente da Scania Latin América, e de Márcio Querichelli, presidente da Iveco América Latina, que participaram do Seminário Brasil Elétrico 2024, organizado por AutoData.
Podgorski arriscou o mapa do combustível no Brasil: “Veremos veículos rodando com biodiesel em algumas regiões, como no Centro-Oeste, que tem boa capacidade para produzir o combustível a partir de sementes oleaginosas. O biometano também estará presente, mas mais próximo das regiões produtoras, como o Sudeste. E ainda aposto em uma forte eletrificação no eixo Rio-São Paulo, São Paulo-Campinas”.
A visão do presidente da Iveco é semelhante. Querichelli disse que é a razão da aposta da empresa em soluções diferentes para cada segmento, acreditando no gás para os caminhões pesados e na eletrificação para os caminhões leves, caso da Daily elétrica, que já é ofertada no mercado brasileiro:
“Pela matriz do Brasil o gás deve ganhar escala nos próximos anos, assim como na Argentina. O biometano também deverá ganhar espaço e ajudar no processo de descarbonização dos veículos comerciais, pois o Brasil tem um potencial gigante para produzir esse combustível localmente. Já os elétricos deverão avançar na distribuição urbana”.
Os dois presidentes concordaram que o Brasil tem muito boa oportunidade para produzir biometano e criar uma rede de abastecimento para os veículos comerciais. Afirmaram, ainda, que cada município tem um passivo de resíduos que precisa ser eliminado que, com a produção do biometano, poderão ser usados como matéria-prima, virando um ativo gerador de receita.
Com a lei do Combustível do Futuro a expectativa é de que as plantas de biometano avancem no Brasil, uma vez que já existem setenta projetos aprovados e a expectativa é de que parte delas estejam produzindo em 2029, de acordo com Podgorski.