Zárate, Argentina — A Mercedes-Benz inaugurou na sexta-feira, 8, sua fábrica de caminhões e ônibus argentina, com capacidade para produzir 10 mil veículos/ano. Com investimento de US$ 110 milhões em um ciclo de quatro anos a nova unidade foi construída do zero — a primeira da companhia em quinze anos — para abrigar seus pesados após a transferência de Virrey del Pino, com a separação da produção de vans.
O CEO da Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus na Argentina, Raúl Barcesat, contou que a unidade está em ramp up de produção, com uma média de dezessete veículos por dia em um turno de produção. Hoje são produzidos no local dois modelos, Accelo e Atego, e dois chassis de ônibus, OF e OH.
“Zárate nos permitirá ser mais rápidos. Estamos orgulhosos de nossa história, que se iniciou 75 anos atrás na Argentina. E, claro, este investimento reforça o compromisso da empresa com o país.”
Segundo Till Oberwörder, CEO global da Daimler Buses, um dos principais desafios de produzir na Argentina é a busca constante pela competitividade: “Sempre pensamos no fluxo e na eficiência. Ao melhorarmos nossas condições logísticas conseguimos melhorar os preços. E nos últimos anos entendemos que isso é preciso para nos tornarmos mais competitivos”.
Sobre o aumento da concorrência com veículos importados, principalmente chineses, Achim Puchert, CEO global da Mercedes-Benz Trucks, apontou que o que mais preocupa não é a concorrência em si, o que é, inclusive, saudável, pois ajuda a manter a qualidade alta o tempo todo: “Mas é preciso que a concorrência seja justa, com perspectiva de custo no longo prazo. Se só pensarmos em baixo custo não chegaremos lá”.

Objetivo é ampliar exportações
Aproveitando a proximidade do porto de Zárate a ideia é reduzir custos tanto com os componentes vindos do Brasil quanto para as exportações. Para os executivos os fretes na América Latina tendem a crescer, assim como as cidades, o que deverá puxar as vendas para outros países.
O plano, segundo Barcesat, é ampliar o volume embarcado, ao explorar outros mercados, como na África e na Ásia. Atualmente o único cliente externo é o México, para o qual foram enviadas trezentas unidades do OH, chassis de ônibus com motor traseiro.
A Mercedes-Benz lidera o mercado de pesados argentino: detém 33,4% da venda total de caminhões e, no caso dos ônibus, o percentual chega a 61,3%. Em 2025 a venda destes veículos alcançou 19 mil unidades, sendo 17 mil caminhões e, o restante, ônibus.

Para o chefe de gabinete do governo da Argentina, Manuel Adorni, a despeito das dificuldades econômicas pelas quais atravessa o país, investimentos são necessários: “As empresas na Argentina são sempre reconhecidas por sua resiliência apesar das diversas crises. Há dois anos divulgamos o aporte da Mercedes-Benz e hoje testemunhamos a fábrica pronta”.
Com a transferência da produção de Virrey del Pino para Zárate, distantes cerca de 130 quilômetros, foram mantidos 2,5 mil postos de trabalho, sendo quinhentos diretos. No espaço, o Centro Industrial de Zárate, também é produzida linha de peças remanufaturadas para o mercado de reposição e abrigado o centro de distribuição que a abastece rede nacional com 45 pontos de distribuição.
A unidade de Virrey del Pino segue em operação sob controle da Prestige Auto, nova representante da Mercedes-Benz Cars e Vans na Argentina, que ficou responsável pela produção da Sprinter.