Grupo assumiu controle da fábrica da Mercedes-Benz em 2025 e planeja expansão
Buenos Aires, Argentina – Pouco mais de seis meses após assumir o controle da fábrica da Mercedes-Benz o Grupo Prestige Auto já aumentou o ritmo de produção da van Sprinter de 54 para noventa unidades por dia. No período a fábrica recebeu investimento de US$ 100 milhões em melhorias operacionais, principalmente em novos processos de pintura, e mais duzentos operários foram contratados, somando agora um quadro de 2 mil empregados que trabalham em dois turnos.
A fábrica de Virrey del Pino, na Região Metropolitana da Capital argentina, Buenos Aires, produziu 14 mil unidades da Sprinter em 2025. Com incrementos de produtividade e a introdução de mais versões com câmbio automático da van lançadas este mês – lançadas primeiro no mercado brasileiro – a intenção é terminar 2026 perto das 20 mil unidades fabricadas. A maior parte da produção, cerca de 60%, segue para o Brasil e o restante abastece o próprio mercado argentino e demais países latino-americanos, com exceção do México.
“Nossa intenção nos próximos anos é ir além, ocupar a capacidade de 30 mil unidades/ano e expandir a fábrica com a possível introdução de mais modelos”, assinala Daniel Herrero, experiente executivo da indústria automotiva argentina escolhido pelo empresário Pablo Peralta para ser o presidente e sócio da Prestige Auto, que em junho de 2025 assumiu o controle da fábrica e das operações comerciais da Mercedes-Benz Cars & Vans no país, após vencer licitação aberta pela fabricante.
Linha de produção da Sprinter na Argentina: em expansão. Foto: Divulgação/Prestige Auto
Expansão
Pelo acordo a Prestige Auto adquiriu a fábrica de Virrey del Pino com todos os equipamentos e foi licenciada para produzir veículos da fabricante alemã seguindo os mesmos padrões produtivos e de qualidade. A empresa argentina é responsável pela engenharia de manufatura e a representação comercial de carros e vans a marca no país, enquanto a engenharia de produto segue sob responsabilidade da Mercedes-Benz Cars & Vans.
Herrero admitiu que “após consolidar a produção da Sprinter em níveis mais altos estudaremos a possibilidade de fazer outros modelos Mercedes-Benz aqui”. Uma das possibilidades já aventadas é voltar a produzir na Argentina as vans médias da linha Vito, que foram fabricadas na unidade de 2015 a 2019.
“Temos uma boa e muito próxima relação com a Prestige, que tem capacidade de nos abastecer e atende todos os nossos pedidos”, afirmou Ronald Koning, presidente da Mercedes-Benz Cars & Vans no Brasil. Ao que Herrero respondeu: “Claro, são os nossos maiores clientes, o que quiserem nós faremos”.
Daniel Herrero e Ronald Koning: parceria produtiva da Mercedes-Benz Cars & Vans na Argentina. Foto: Pedro Kutney.
Por ser um veículo produzido no Mercosul, com índice mínimo obrigatório de localização produtiva de 60%, a Sprinter entra no mercado brasileiro sem pagar imposto de importação. Com cerca de 8 mil emplacamentos em 2025 a van representa, sozinha, perto da metade das vendas da Mercedes-Benz Cars & Vans no Brasil, e pouco mais de 60% da produção na Argentina, com tendência de aumentar essas participações.
Novo ciclo
Com a decisão do Grupo Daimler de separar, a partir de 2021, a divisão de carros e vans e a de caminhões e ônibus, as duas empresas tornaram-se independentes e separaram completamente suas operações. No caso da Argentina toda a produção de caminhões foi transferida, este ano, para uma nova linha construída em Zarate, enquanto a fábrica de Virrey del Pino, que antes estava ligada à divisão de veículos pesados, ficou só com a Sprinter e foi vendida à Prestige Auto.
A decisão foi tomada em função de a Mercedes-Benz sempre ter focado sua atuação industrial no Brasil e na Argentina na produção de veículos comerciais. Após a separação a Mercedes-Benz Cars & Vans ficou sem uma equipe de engenharia de manufatura, que segue abrigada na Mercedes-Benz do Brasil, produzindo caminhões e ônibus. Assim vender a operação argentina foi a fórmula encontrada para uma transição mais rápida e eficiente.
Herrero, que trabalhou na Toyota por mais de 25 anos e se aposentou como presidente da empresa na Argentina, também foi presidente da Adefa, a associação dos fabricantes de veículos no país, na gestão 2020-2021. Aos 66 anos o executivo pensava que desaceleraria e dedicaria mais atenção à sua paixão pelas corridas.
Mas ele não resistiu ao novo desafio de conduzir a reestruturação da histórica relação que a marca Mercedes-Benz tem com o país, onde construiu sua primeira fábrica fora da Alemanha, em 1951, que foi batizada Centro Industrial Juan Manuel Fangio em homenagem ao argentino cinco vezes campeão de Fórmula 1, duas delas correndo pela equipe Mercedes-Benz.