São Paulo – Em 2025 a Rinaldi, fabricante de pneus e câmaras de ar para motocicletas, veículos agrícolas, industriais e quadriciclos de Bento Gonçalves, RS, se propôs a ampliar significativamente sua parcela de exportação. Estabeleceu meta: até 2028 dobrar esta fatia na receita da empresa para 20% e, dos então trinta destinos, chegar a cinquenta.

Um importante – e ousado – passo foi dado para que a empresa consiga ampliar sua presença globalmente. Após intervalo de seis anos a retomada da participação no EICMA, um dos principais salões de motocicletas e acessórios do mundo, realizado anualmente em Milão, Itália, em 2024, abriu janelas de oportunidades para a empresa. A primeira delas foi a exportação de pneus para a Ásia, para a Filipinas.

Contrariando a lógica de que o continente é o maior exportador de pneus do mundo, com preços que dificilmente são alcançados, a Rinaldi conseguiu um distribuidor como cliente que se interessou não pelo custo mas pela qualidade do produto — a Lyr Motorparts. Foi enviado um primeiro contêiner de pneus e a expectativa inicial é de um volume de 6 mil unidades, o que representa cerca de US$ 150 mil em mercadorias, de produtos fora-de-estrada para motos de competição e para o uso de lazer.

“Ele nos conheceu no EICMA, viu o posicionamento da marca e entendeu que temos possibilidades de crescimento”, contou à Agência AutoData André Ricardo Fiorese, gerente de exportação da Rinaldi. “A Lyr, que é ligada ao setor de off-road, demandou amostras, fizemos investimento bem expressivo para enviar conjuntos de pneus, via aérea, e ela realizou testes com pilotos. Então surgiu a possibilidade de fazermos negócios.”

Em junho será realizado o lançamento da marca nas Filipinas e a expectativa é aproveitar a viagem para ampliar contatos, inclusive com outros países do continente. Para este ano a Rinaldi espera que 14% da receita provenha de exportações — no ano passado era 11%. Em volume significa embarcar 400 mil unidades, sendo que em 2025 foram 350 mil unidades. Até 2028 a meta é mais do que dobrar este volume, para 840 mil.

Contêiner já foi enviado para as Filipinas e expectativa expectativa inicial é de um volume de 6 mil unidades. Foto: Divulgação.

Preço não é a chave para ampliar presença na Ásia

Fiorese deixou claro que a empresa entende que não tem como competir mais por preço neste mercado.

“Estamos, então, trabalhando forte na qualidade de produtos e em desenvolvimento. Queremos posicionar a marca de forma global como produto premium, de alta qualidade, que concorre com grandes empresas.”

Para o executivo é justamente esta aposta em pneus de qualidade e alto rendimento que fará a diferença na aceitação nos mercados, inclusive nos asiáticos. Os preços, se comparados a produtos fabricados na Ásia, podem ser de 70% a 100% mais caros: “Não existe uma receita para lidar com isto. O que existe é um planejamento, um conjunto de fatores nos quais estamos trabalhando para fazer a prospecção da marca, um posicionamento de nível global e que começa a gerar demandas. Já tivemos cotações para o Japão e trabalhamos com a Austrália. São oportunidades que não deixamos passar”.

Rinaldi estuda estabelecer escritório na Europa

Para dar maior suporte a este plano de ampliação das exportações e estar mais próxima dos distribuidores internacionais a Rinaldi estuda estabelecer escritório na Europa, possivelmente em Portugal, Espanha ou Itália, o que ainda não está definido, a partir do ano que vem. O andamento do projeto, porém, depende do desenrolar das volatilidades geopolíticas e até mesmo da estabilidade na economia global.

Quanto ao centro de distribuição nos Estados Unidos, que acabou engavetado em meio ao tarifaço de Donald Trump, Fiorese disse que a ideia voltará a ser reativada em momento mais oportuno.

Enquanto isso a empresa, no mercado há 56 anos, está investindo para ampliar o centro de distribuição da fábrica em Bento Gonçalves a fim de comportar melhor a projeção de crescimento do volume a ser comercializado no País e também o embarcado: “Já ampliamos em 50% o espaço e vamos expandir mais este ano e no próximo, quando será concluída a obra”.

Sua capacidade de armazenagem será de 300 mil unidades.

Com relação à projeção de vendas de pneus e câmaras de ar em 2026 o plano é passar das 3,1 milhões de unidades do ano passado para 3 milhões 250 mil, alta de 4,8%. A Rinaldi prevê acompanhar o crescimento do mercado de motocicletas, sendo hoje uma das principais indústrias brasileiras com foco no mercado de reposição.

Atualmente a Rinaldi está presente na Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai, Equador, Colômbia, Guiana. Venezuela, Costa Rica, Guatemala, México, Estados Unidos, Haiti, Cuba, Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Polônia, Portugal, República Tcheca, Turquia, Finlândia, Letônia, Suécia, Chipre e agora, também, nas Filipinas.

Como parte de seu projeto internacional a Rinaldi mantém agenda ativa de aproximação com mercados externos. Fiorese contou que a missão internacional prevê a realização de duas viagens por ano para visitar pelo menos vinte países com o objetivo de estreitar o relacionamento com clientes e compreender as demandas locais. Os principais focos são os mercados da Europa, Ásia e África.