Zárate, Argentina – Longe de representar autossuficiência isolada ou concentrar fatia maior de exportação de caminhões e ônibus, dada a proximidade ao porto de Zárate, Argentina, o investimento de US$ 110 milhões para construir do zero fábrica da Mercedes-Benz após a separação da produção de vans, a cargo do Grupo Prestige Auto, em Virrey del Pino, demonstra, nas palavras dos executivos globais da montadora, o fortalecimento da sinergia com a unidade de São Bernardo do Campo, SP.

Foi o que asseguraram em entrevista coletiva à imprensa Achim Puchert, CEO global da Mercedes-Benz Trucks, que ocupou a cadeira de presidente e CEO no Brasil e América Latina de 2022 a 2025, e Till Oberwörder, CEO global da Daimler Buses. Segundo Puchert a nova unidade argentina, que produz os caminhões Accelo e Atego, e os chassis de ônibus OH e OF, tem portfólio que espelha a linha de montagem brasileira para garantir escala:

“Brasil e Argentina estão ligados como dois lugares de produção, duas empresas sob o mesmo teto por muitas décadas. É isso que estamos fortalecendo”.

Enquanto Zárate se dedica à fabricação destes quatro modelos, que também são feitos em São Bernardo, a unidade do ABC Paulista produz o extrapesado Actros e o fora-de-estrada Arocs. Quanto aos chassis de ônibus é fabricada no Brasil a linha O500 e o elétrico eO500U.

Segundo o CEO global da Mercedes-Benz Trucks a plano é baseado em logística de alta precisão dentro do Mercosul, uma vez que a unidade argentina opera em regime de colaboração intensa com a brasileira: componentes críticos, como motores e eixos, além das cabinas, seguirão atravessando a fronteira para serem integrados aos veículos argentinos.

Cabinas do Accelo montado na Argentina são importadas do Brasil. Foto: Soraia Abreu Pedrozo.

E o apoio brasileiro vai além das peças neste processo. Durante a fase de início de produção especialistas que trabalham em São Bernardo participaram ativamente do treinamento das equipes locais. Oberwörder destacou que a transferência de conhecimento foi vital para a agilidade do processo:

“A colaboração do Brasil com a Argentina sempre foi muito intensa. E optamos por usar as competências do Brasil para dar apoio aqui e para agilizar o ramp up da produção. Foi um projeto muito bem orquestrado, em um curto período de tempo”.

O CEO global da Daimler Buses disse que a parceria continuará: “A diferença é que agora temos uma fábrica muito mais bonita e eficiente para realmente evoluir e preparar para as próximas décadas. Nós modernizamos completamente o processo de produção sem desistir da colaboração muito próxima e histórica dentro da nossa empresa, que foi muito benéfica para os processos de intercâmbio de conhecimento e tecnologias”.