São Paulo – Ainda que o mercado em agosto, melhor mês em vendas do ano, tenha sido puxado por entregas a locadoras o varejo continua aquecido, garante o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. No mês passado foram emplacados 208,6 mil veículos, crescimento de 20,7% sobre o mesmo mês de 2021 e de 14,6% sobre julho, dos quais 194,4 mil automóveis e comerciais leves, altas de 22,6% e de 14,9%, respectivamente.

Os dados foram divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 9. Deste volume, porém, 53% foram vendas diretas e cerca de 35% para locadoras, de acordo com a Bright Consulting: “As locadoras estão com uma frota fora da idade habitual e há, então, um movimento para atender aos pedidos. Do outro lado a restrição ao crédito tem afastado um pouco os consumidores”.
Com a elevação das taxas de juros e o aumento da inadimplência o crédito ficou mais caro e mais difícil, segundo o executivo. Mas ele descartou crise de demanda: “Se não tivéssemos essas entregas às locadoras teríamos, igualmente, tido bom desempenho: talvez com um volume um pouco abaixo deste, mas o consumidor segue demandando alguns modelos”.
No acumulado do ano os emplacamentos somaram 1 milhão 308 mil 642 unidades, 8% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Lima Leite segue acreditando na reversão da curva: as projeções da Anfavea indicam crescimento de 1% nas vendas do ano, para 2 milhões 140 mil veículos.
Ele mostrou também o que a Anfavea espera para os próximos meses: 198 mil unidades em setembro, 196 mil em outubro, 204 mil em novembro e 233 mil em dezembro: “É factível. Claro que depende do nível de produção, mas a tendência é chegarmos aos 2 milhões 140 mil, um pouco acima, um pouco abaixo. Não vai fugir muito da nossa projeção”.
Os estoques fecharam o mês passado em estabilidade: 164,8 mil veículos, dos quais 110,4 mil nas concessionárias e 54,4 mil nas fábricas. O volume é suficiente para abastecer 24 dias de vendas.