São Bernardo do Campo, SP – Apenas 2%, de uma frota estimada em 2,5 milhões de caminhões em circulação nas estradas brasileiras, foram adquiridos por meio de locação, calcula Hilke Janssen, presidente e CEO do Banco Mercedes-Benz e da recém-criada Daimler Truck Locações e Serviços, controlada pelo braço financeiro da Daimler Truck no Brasil. Em mercados maduros, como Europa e Estados Unidos, a fatia chega a 25%, afirmou: “O mercado de locação de pesados tem tudo para crescer. E sem concorrer com os financiamentos”.

De olho neste potencial foi criada a nova divisão da Daimler Truck Financial Services, a primeira na América Latina a explorar a locação de caminhões. Em parceria com a empresa e com a rede de concessionárias oferecerá, de início, cem unidades para clientes de médio porte interessados em alugar seu caminhão, com a vantagem de ter impostos, manutenção, serviços de telemetria, seguro e a parcela do financiamento em uma só fatura. O serviço oferecido pela companhia loca, também, o implemento. Em planos que variam de 36 a sessenta meses.

“Existem também vantagens contábeis e tributárias”, explicou Cristina Rensi, chefe da Daimler Truck Locações e Serviços. “Por conseguir declarar as parcelas como despesa, e não bem, é possível pagar menos imposto de renda e contribuição social, por exemplo. Além de não imobilizar ativo, mantendo a capacidade de investimento, e sem comprometer a possibilidade de obter crédito.”

Cristina Rensi. Fotos: Divulgação.

Os passos serão pequenos e firmes, contou a CEO Janssen, que no fim do mês deixará a operação brasileira, onde esteve à frente nos últimos três anos, para assumir novo cargo na América do Norte. De início cem unidades serão negociadas em lote mínimo de três modelos para cada interessado, das linhas Accelo, Atego e Actros. Mais adiante está nos planos incluir os off-road Arocs e ônibus e o elétrico eO500U. A meta é fechar o ano com duzentos caminhões locados.

“Queremos começar pequenos e ter o aprendizado deste novo negócio para poder crescer. Entendemos que duzentas unidades é pouco, mas nosso desejo é ter uma fundação sólida e passo a passo melhorar o produto. Conseguiremos acelerar se for preciso.”

Ao fim do contrato a SelecTrucks, unidade de revenda de seminovos da Mercedes-Benz, tem o compromisso de adquirir o caminhão e ofertá-lo em sua rede.

Rensi disse que, nas pesquisas feitas, não foi possível identificar um tipo de cliente exato para o mercado de locação: “Existem casos e casos. Frotistas de perfil semelhante podem optar pela compra ou pela locação porque, para ele, faz sentido. Existem aqueles que querem ter a propriedade do caminhão e outros que enxergam a frota como serviço, preferindo deixar a gestão terceirizada”.

Ela diz haver, também, espaço para todos concorrerem no mercado, desde as montadoras, que passaram a oferecer serviço de locação nos últimos anos, às empresas especializadas que surgiram recentemente.

No ano passado, destacou Rensi, em torno de 10% dos emplacamentos dos caminhões foram para locação, como afirmou em recente entrevista a Agência AutoData Fábio Leite, CEO da Addiante. Ainda longe dos 25%, mas demonstrando a capacidade do segmento no mercado brasileiro.