Indústria de máquinas enfrenta falta de peças

São Paulo – Menos tempo paradas – em torno de vinte dias – por estarem com demanda aquecida no meio da safra, as empresas fabricantes de máquinas agrícolas conviveram com outro entrave gerado pela pandemia da covid-19: o desabastecimento de peças. O problema foi global, por causa da parada em fábricas localizadas fora do País, e regional, pois alguns fornecedores não puderam operar para respeitar decretos municipais.

 

A falta de peças na cadeia acabou ampliando, um pouco mais do que os executivos gostariam, as paralisações nas fábricas. Foi preciso parar para readaptar as linhas às novas normas de segurança, como menos colaboradores, ampliação de distanciamento, mudança nos refeitórios, etc.

 

Luis Felli, presidente do Grupo AGCO para a América do Sul, contou que foi preciso lançar mão do frete aéreo, com custos mais elevados:

 

"Agora a cadeia está reestabelecida, mas o nosso maior tempo parado foi por falta de componentes. Tivemos que trazer peças de avião da China e da Europa para voltar a operar. Fornecedores nacionais também tiveram que parar de produzir para obedecer a decretos municipais. Neste caso fizemos um forte trabalho para ajudá-los na retomada da produção e conseguir, a eles, acesso a linhas de crédito para manter o fluxo de caixa durante a paralisação. Se precisássemos apenas adaptar as fábricas para obedecer às novas normas de segurança a parada seria bem menor”.

 

 

 

 

A CNH Industrial também enfrentou dificuldades para importar componentes de países que enfrentaram lockdown total durante a pandemia, como China, Itália e outros países da Europa. Segundo o vice-presidente da New Holland, Rafael Miotto, a companhia ainda não conseguiu normalizar 100% do fornecimento: "Na fábrica de Curitiba algumas linhas de tratores não estão operando por falta de componentes. Esse problema também afetou outras linhas de produção".

 

A interrupção na cadeia de fornecimento gerou impacto negativo nos números do setor em abril. Ambos os executivos, contudo, acreditam que o segmento tem fôlego para recuperar o volume perdido, considerando as boas condições de produção e venda de algumas áreas do agronegócio. Mas a retomada dependerá do crédito disponível para reverter os prejuízos da crise.

 

Para Miotto um dos segmentos agrícolas que puxa o setor é o de grãos, que tem previsão de novos recordes no ano. O problema é que esses produtores demandam muito crédito de linhas do Plano Safra, como o Moderfrota: "Eles precisam dos recursos disponíveis. Sem conseguir financiar suas compras a recuperação poderá não acontecer".

 

 

O vice-presidente da New Holland projeta, diante do cenário atual, queda de 5% a 10% no ano, lembrando sempre da questão do crédito para não piorar a previsão.

 

O presidente do Grupo AGCO preferiu não arriscar projeções para o ano, e concorda que a questão do crédito é fundamental para a recuperação: "São três questões: o crédito disponível, a cadeia de fornecimento e a documentação das máquinas novas que precisa ser feita em cartórios, que estão fechados em muitas cidades. Com isso funcionando o segmento deverá se recuperar e pode até empatar com o resultado de 2019, ou ter uma leve queda".

 

Sobre a possível antecipação do novo Plano Safra 2021, que está previsto para começar a operar em julho, os executivos disseram não ser essa a prioridade: ressaltaram mais uma vez que a maior demanda do setor é a disponibilidade de recursos.

 

Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea que responde pelo setor agrícola, também defendeu essa bandeira: "Fazer projeções agora é complicado, mas se o produtor tiver os recursos disponíveis, com taxas atrativas, e souber disso com antecedência, poderá se programar para fazer seus investimentos nos próximos meses. As condições, mais uma vez, estão boas para o produtor, como exportação muito rentável e preço bom das commodities".

 

Para Miguel Neto a leve queda nas vendas de máquinas em abril ocorreu por causa da pandemia da covid-19, que gerou dúvidas nos agricultores e os deixou mais cautelosos com relação aos seus investimentos, cenário que deverá mudar por causa dos fatores já citados.

 

O panorama do setor será debatido na segunda-feira, 18, no Workshop AutoData Perspectivas Máquinas Agrícolas e de Construção. O evento, online, tem inscrições abertas.

 

Foto: Divulgação.

Produção de motos recua 98% com fábricas fechadas

São Paulo – As fábricas de motocicletas instaladas no Polo Industrial de Manaus, AM, produziram no mês passado 1 mil 479 unidades, volume 98,4% inferior ao registrado no mesmo mês de 2019 – segundo a Abraciclo, que representa as empresas fabricantes de motocicletas, em abril do ano passado a produção somou 91,3 mil unidades.

 

A razão deste recuo é a pandemia da covid-19, segundo o presidente Marcos Fermanian, em nota: “A produção ficou estagnada em abril, pois 70% das fábricas de motocicletas paralisaram suas atividades produtivas como medida de prevenção e segurança de seus colaboradores”.

 

Segundo a Abraciclo metade das fábricas do PIM voltaram a operar no começo do mês, adotando medidas preventivas para a segurança: medição de temperatura, nova diagramação das áreas de produção, mudanças no sistema de ônibus fretados, máscaras no EPI etc. A Honda, principal produtora do setor, ainda não retornou.

 

O quadrimestre fechou em queda de 18,7%, somando 299 mil motocicletas produzidas. A Abraciclo revisará suas projeções, adiantou Fermanian – sem revelar números: "Não resta dúvida que os resultados do segmento serão impactados pela pandemia da covid-19. Por isso iniciaremos agora um processo de revisão dos números”.

 

Assim como no segmento de veículos as fabricantes de motocicletas pedem ajuda do governo para negociar medidas que ajudem a aliviar o caixa das empresas, e também o de seus fornecedores e distribuidores.

 

“Estamos apresentando pleitos referentes às necessidades operacionais e econômicas mais urgentes das fabricantes de motocicletas e também das parceiras que atuam no varejo para os governos federal, estadual e municipal. O andamento está em diversos estágios, sendo que em alguns casos entramos na fase de agendamento de reuniões por videoconferência.”

 

As vendas, em abril, recuaram 69,7% com relação a abril de 2019, para 28,2 mil motocicletas. A média diária, 1 mil 354 unidades, foi a pior para o mês de abril desde 2003. No acumulado o mercado de duas rodas soma 275,1 mil motocicletas comercializadas, recuo de 21,9% com relação aos quatro primeiros meses de 2019.

 

Foto: Divulgação.

Indústria gaúcha avalia queda de 55% na receita

Caxias do Sul, RS – Consulta realizada pelo Sinmetal, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do Rio Grande do Sul, junto às suas associadas indicou queda de faturamento e de pedidos de 50% a 55%, em média, até o início de maio em decorrência da redução de atividades pela pandemia do novo coronavírus. A entidade congrega mais de 5 mil empresas, responsáveis por 100 mil empregos diretos em 412 municípios.

 

Os números apontam que os fornecedores da cadeia automotiva foram os mais prejudicados, enquanto os menos afetados são os fabricantes de peças e insumos para o agronegócio e maquinário agrícola e para a indústria alimentícia. O levantamento aponta o consenso geral dos empresários e de seus executivos sobre a falta de previsão e de perspectivas para a demanda do mercado a partir de junho e julho, incluindo o comércio exterior.

 

As empresas consultadas informaram que adotaram todas as medidas de prevenção, proteção e segurança exigidas pelas autoridades de saúde. A maioria está utilizando o home office para os trabalhadores das áreas administrativa e de vendas. Também suspenderam operações em 23 de março e retornaram em 6, 12 e 20 de abril, de acordo com as regras de reabertura por municípios ou região.

 

As indústrias utilizaram o recurso de concessão ou antecipação de férias, como também o lay off, sobretudo a partir de maio. Também foram adotadas medidas como redução de jornada e de salários, e suspensão de contratos, medidas garantidas na convenção coletiva emergencial firmada pelo Sinmetal, a CUT e a Força Sindical. Ainda ocorreram demissões, principalmente em atividades ligadas ao setor automotivo e metalmecânico.

 

Em Caxias do Sul, principal polo automotivo do Estado, pesquisa do Simecs, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, apontou que mais de 80% das empresas associadas tiveram queda substancial na demanda, cancelamento de pedidos e produção fabril limitada. De acordo com o presidente Paulo Spanholi  “a crise vem afetando de forma contundente o faturamento das empresas consultadas, o que revela um cenário desafiador para o setor nos próximos meses”.

 

A crise vem sendo dura para o indicador de contratações. Quase a metade das empresas consultadas, 49%, teve quedas consideráveis no tamanho de sua força de trabalho. Metade ainda está conseguindo manter a situação estável e menos de 1% dos negócios aumentou o quadro de funcionários no período.

 

As principais medidas adotadas pelas empresas consultadas para evitar demissões são, pela ordem, uso de home office, de banco de horas e férias, contempladas em quase 60% das empresas. Banco de horas e a flexibilização de jornada, medidas acordadas na primeira convenção coletiva de trabalho extraordinária do Simecs com o sindicato dos trabalhadores, em 18 de março, foram usadas por mais de 20%. Redução de jornada e suspensão de contratos somaram 10%.

 

Foto: Kamran Aydinov/Freekpik.

Financiamento de veículos cai mais de 50% em abril

São Paulo – O volume de financiamentos de veículos novos caiu 61,5% em abril na comparação com o resultado registrado em abril do ano passado. Segundo balanço da B3 divulgado na terça-feira, 12, o volume de financimentos no mês foi de 72 mil unidades.

 

Adicionando-se o volume de veículos usados, a queda nos financiamentos foi de 56,5% no mês, com 216,3 mil unidades financiadas no total. Este foi o pior resultado do mês desde abril de 2017.

 

Separando por categorias os financiamentos de automóveis novos em abril chegou a 29,1 mil unidades financiadas, volume que representa queda de 74% ante abril do ano passado.

 

Os financiamentos de veículos pesados, por sua vez, caíram no mês 50%, totalizando 5,4 mil unidades novas financiadas no período.

 

Já os financiamentos de motocicletas novas, segundo o balanço da B3, caíram 40% em abril, somando 37,1 mil unidades financiadas no País.

 

O CDC, o Crédito Direto ao Consumidor, representou fatia de 82,6% do total financiado em abril, queda de 59%. Os consórcios representaram 16,4% do total financiado naquele mês, queda de 43%.

 

Foto: xb100 / Freepik

Volkswagen Caminhões vende dez Delivery à Lucca Jr

São Paulo – O primeiro caminhão produzido pela Volkswagen Caminhões em Resende, RJ, após período de inatividade em função da pandemia do novo coronavírus, será entregue à Lucca Jr, pequena empresa de transportes sediada em Ourinhos, SP. O veículo, um Delivery 9.170, integra pacote de dez unidades e será aplicado no resgate de animais que circulam em rodovias de Minas Gerais. 

 

O serviço será prestado após a empresa vencer processo de licitação promovido pela concessionária Ecovias do Cerrado. Com a nova demanda a Lucca Jr projeta crescimento de cerca de 25% seu quadro de colaboradores, o que deverá motivar a contratação de setenta funcionários.

 

Foto: Divulgação.
 

FPT adquire Potenza Technology

São Paulo – A FPT anunciou a aquisição de 100% da Potenza Technology, empresa especializada em design e desenvolvimento de sistemas de propulsão elétrica e híbrida. Sediada em Coventry, Reino Unido, a Potenza Technology desenvolve esses tipos de motores desde 1999. De acordo com Annalisa Stupenengo, CEO da FPT, “trabalhamos para aprimorar nossas habilidades de engenharia e temos o prazer de receber a equipe da Potenza, que contribuirá para expandir nossas soluções inovadoras em powertrain, no que diz respeito à eletrificação”.

Marcos Bregantim é o novo CEO da Becomex

São Paulo – A Becomex indicou Marcos Bregantim para o cargo de CEO. A empresa de consultoria projeta aumenta da demanda por seus serviços nos próximos anos e, então, decidiu criar a função. Até então a gestão da empresa era conduzida pelo fundador, Jaly Paiva, que agora passa a dividir o planejamento com Bregantim.

 

Segundo comunicado divulgado na segunda-feira, 11, ele tem como meta dar início ao planejamento de crescimento, que envolve triplicar seu faturamento nos próximos cinco anos, saltando de R$ 100 milhões para R$ 300 milhões/ano. Bregantim é formado em administração de empresas.

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Toyota Porto Feliz completa 4 anos

São Paulo – A fábrica da Toyota em Porto Feliz, SP, onde são produzidos os motores de sua gama nacional de veículos, completou 4 anos de operações. No período já produziu cerca de 500 mil unidades e mantém, atualmente, quandro formado por mais de seiscentos trabalhadores.

 

Fruto de investimento inicial de R$ 580 milhões a fábrica de Porto Feliz já passou por expansão e modernização, ao custo de R$ 600 milhões, para estar apta a produzir, também, o motor a combustão flex do novo Corolla.

 

Hoje saem das linhas os motores flexfuel e a gasolina Dual VVTi 1.3L e 1.5L que equipam Etios e Yaris, e 2.0L Dynamic Force do novo Corolla. A capacidade produtiva de Porto Feliz é de 174 mil motores/ano em dois turnos.

 

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Fiat lança versão ambulância do Fiorino

São Paulo – A Fiat passou a oferecer mais uma versão do utilitário Fiorino, a Ambulância Simples Remoção. O modelo, assim como a Ducato, que tem uma configuração ambulância, foi adaptado para transportar pacientes que não apresentam risco para remoções simples e eletivas.

 

Na parte interna o Fiorino recebeu isolamento térmico e acústico, revestimentos laterais e teto em ABS para tornar a higienização mais fácil e piso em compensado naval, também revestido em ABS. Traz maca retrátil, banco do acompanhante com dois postos e suportes para cilindro de oxigênio e soro, além de armário, porta-pranchetas, porta-copos e iluminação em LED. Por fora sirene eletrônica.

 

 

 

O Fiorino Ambulância Simples Remoção é equipado com motor 1.4 EVO flex, que alcança até 88cv quando abastecido com etanol. Pode ser encontrado, a pronta entregar, por R$ 99 mil 790 na rede Fiat.

 

 

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Peugeot reabre rede para serviços de pós-vendas

São Paulo – A Peugeot anunciou na terça-feira, 12, a reabertura de sua rede de concessionárias para serviços de pós-vendas, seguindo uma série de medidas para manter a segurança de funcionários e clientes durante os atendimentos. Algumas das ações são fornecimento de álcool gel, atendimento com horários espaçados para receber apenas um cliente por vez e sistema de pagamento sem a necessidade de manuseio de dinheiro ou cartão.

 

A empresa também criou três pacotes de atendimento com a intenção de tornar o atendimento mais rápido e eficiente. As opções oferecidas aos clientes são o Total Care Pack Gold, Total Care Pack Platinum e Total Care Pack Leva e Traz, que contemplam, cada um, uma série de serviços.

 

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