Marcas balançam e ausência no Salão deve crescer

São Paulo — O Grupo BMW abriu a porteira em 2020 informando em 8/1 que nem modelos BMW e nem os Mini estarão expostos no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo deste ano. Outra fabricante, de importante participação no mercado, sexta no ranking de vendas, disse esta semana que também estará fora: Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil, anunciou que a marca não participará desta edição do Salão brasileiro – assim como a Lexus, naturalmente.

 

Nos bastidores da indústria há mais rumores de que novas ausências serão anunciadas em breve. Audi e Mercedes-Benz são duas que estudam com carinho a participação – ou a ausência, para ser mais preciso.

 

A Kia também não se decidiu: o presidente José Luiz Gandini disse a AutoData que acredita ser mais produtivo investir o dinheiro para levantar um estande no Salão em outras ações de marketing. “O investimento no Salão comprometeria boa parte da minha verba anual de propaganda”. 

 

Quem já saiu não pensa em voltar. Ausentes da última edição, em 2018, Jaguar Land Rover e Volvo confirmaram que estarão de fora em 2020. O Grupo PSA, dono das marcas Citroën e Peugeot, é outro que dificilmente participará – oficialmente ainda não há confirmação.

 

Tendência global. Os salões estão perdendo a importância que os credenciou em um passado não tão distante como o local onde tudo acontecia na indústria automotiva. No IAA 2019, em Frankfurt, Alemanha, não ergueram estandes FCA, General Motors, Nissan e Toyota, dentre outras. Um ano antes, em Detroit, Audi, BMW e Mercedes-Benz deixaram seus carros de fora do evento. Em todas essas ocasiões o alto custo é a principal razão alegada, ainda que disfarçada por justificativas oficiais como “focar em atividades mais próximas aos clientes”.

 

É muita grana. Ninguém revela abertamente, mas comenta-se nos bastidores que o investimento mínimo para erguer e manter um estande nos doze dias da mostra paulistana – considerando dois dias dedicados à imprensa – pode superar R$ 5 milhões.

 

Sucesso de público: Os mais de 700 mil visitantes que percorreram os corredores do Expo São Paulo durante o evento em 2018 são argumento da organizadora, Reed Exhibitions Alcântara Machado, para manter os valores aos interessados a participar do Salão de Autos, segundo uma fonte de AutoData. Até mesmo o Salão Duas Rodas, no ano passado, com as ausências de marcas de peso como BMW, Ducati e Harley-Davidson teve boa presença de público: estima-se mais de 200 mil pessoas.

 

Foto: Divulgação.

Schiemer: voltar a lucrar no Brasil é mandatório.

São Bernardo do Campo, SP – Líder em vendas de um mercado ascendente e com perspectivas positivas a Mercedes-Benz prioriza no Brasil, agora, a retomada da rentabilidade. Com a crise dos últimos anos a operação brasileira recebeu uma boa injeção de dinheiro da matriz, que avisou ao presidente Philipp Schiemer que este tempo acabou: “Precisamos voltar a ganhar dinheiro este ano. Colocamos o foco na rentabilidade, pois este tem que ser o ano da virada”.

 

O próprio cenário internacional, analisa Schiemer, traz essa necessidade. Para atender às exigentes legislações de emissões internacionais a Daimler, controladora da Mercedes-Benz, precisará investir muito dinheiro em novas tecnologias: “O mundo está em transformação, todos estão precisando fazer investimentos elevados. Não teremos muito fluxo de dinheiro nos próximos anos e, para poder continuar investindo aqui, precisamos fazer dinheiro para usar nosso próprio caixa”.

 

O executivo negou, porém, que exista insatisfação da matriz com relação ao desempenho no mercado nacional. Para o período de 2018 a 2022 foram aprovados investimentos de R$ 2,4 bilhões – uma prova, segundo Schiemer, de que a operação brasileira é entendida como promissora.

 

No ano passado a Mercedes-Benz liderou as vendas de caminhões e ônibus, com crescimentos de, respectivamente, 42% e 50% nos volumes licenciados com relação a 2018. Inaugurou uma nova linha de produção de cabines em São Bernardo do Campo, SP, com tecnologias da Indústria 4.0, que, neste ano, serão adicionadas também nas linhas de montagem de ônibus e agregados.

 

Investir em inovação e novas tecnologias é apontado por Schiemer como um dos caminhos para retornar à lucratividade, pois gera eficiência produtiva:  “[O caminho para voltar a lucrar] é uma junção de diversos fatores: os preços dos produtos devem acompanhar a inflação, precisamos reduzir os custos e elevar a nossa eficiência interna e crescer junto com o mercado, porque das exportações não podemos esperar muito avanço”.

 

A parte do governo, sempre lembrada por Schiemer, também precisa ser feita: embora reconheça alguns avanços nos últimos anos, o presidente da Mercedes-Benz deseja que avancem as discussões sobre a reforma tributária.

 

“Retornamos ao patamar de 100 mil veículos comerciais vendidos por ano, então os volumes estão aí. Agora precisamos tornar o nosso negócio saudável.”

 

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Vendas no Peru crescem 2% em 2019

São Paulo — As vendas de veículos no Peru cresceram 1,7% em 2019 na comparação com o ano anterior, com 168,7 mil unidades no acumulado do ano, de acordo com dados divulgados pela AAP, Associação Automotriz do Peru.

 

Analisando as vendas por segmento os veículos leves foram os responsáveis pelo crescimento do mercado peruano, com 151 mil 997 unidades no ano passado, contra 148 mil 410 em 2018, expansão de 2,4%. As vendas de veículos pesados somaram 16 mil 650 unidades, queda de 4,2% na mesma base comparativa.

 

Vendas por marca — No segmento de veículos leves a Toyota liderou o mercado peruano com 29,8 mil unidades comercializadas de janeiro a dezembro do ano passado. Em segundo lugar aparece a Hyundai, que vendeu 18 mil 645 automóveis. A Kia ficou com a terceira colocação e 14 mil 204 veículos.

 

No ranking por marca de veículos pesados a Mercedes-Benz puxou a fila com 2 mil 53 unidades, seguida pela Fuso, que comercializou 1 mil 612 unidades. A Volvo ficou com a terceira posição e somou 1 mil 610 veículos.

Hitech Electric e Positivo lançam carro autônomo elétrico no Brasil

São Paulo – A brasileira Hitech Electric lançou na quinta-feira, 30, em Curitiba, PR, onde mantém sede, um automóvel autônomo equipado com powertrain elétrico. O e.coTech4, como foi batizado, será aplicado em modelo de negócio baseado em locação para empresas – para uso interno, pois, segundo lembra o presidente Rodrigo Contin, a princípio os veículos autônomos não são regulamentados no País.

 

O executivo contou que o veículo é construído sobre plataforma importada da China, com os demais equipamentos que tornam viável a condução autônoma sendo instalados no Brasil.

 

“Apresentamos um primeiro modelo com plataforma importada e estamos estruturados para entregar algumas unidades. Já recebemos os primeiros pedidos, pois a recepção do veículo foi positiva no mercado.”

 

O veículo opera com energia elétrica e foi desenvolvido em parceria com a Positivo, outra empresa brasileira que atua no mercado de tecnologia. O e.coTech 4 Autônomo inclui sensores e câmeras que executam mapeamento de 360º para a detecção de pedestres, distâncias, obstáculos e velocidade: “Este é o primeiro carro autônomo produzido no Brasil. Nosso objetivo, neste momento de lançamento, é ter cinco parceiros para aprimorar a tecnologia”.

 

Coube a Positivo desenvolver o sistema que faz o veículo rodar de forma autônoma. As empresas não divulgaram o aporte realizado no projeto, mas o custo de construção do veículo, por unidade, gira em torno de R$ 72 mil.

 

No primeiro momento o e.coTech4 será distribuído por locação, com as versões para transportes de passageiros e cargas. O aluguel base da empresa parte de R$ 2,8 mil/mês e pode chegar a R$ 4 mil/mês dependendo da aplicação. Os contratos são de 24 e 36 meses.

 

Participou também do desenvolvimento do veículo o laboratório de computação de alto desempenho da UFES, a Universidade Federal do Espírito Santo.

 

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Troller TX4 chega ao mercado com câmbio automático

São Paulo — A Troller lançou o TX4, nova versão do utilitário com transmissão automática e diferencial traseiro blocante com acionamento elétrico por botão no console central. Segundo a empresa estes são itens que aumentam a versatilidade de uso do modelo e a sua capacidade fora de estrada.

 

O novo modelo foi 100% desenvolvido no Brasil, pelas áreas de engenharia e design da Troller, com apoio da estrutura de engenharia da Ford, dona da marca desde 2007. Para produção do TX4 a fábrica da Troller em Horizonte, CE, recebeu investimentos para adaptações nas áreas de montagem e para a criação de um centro de modificação, o Mod Center, para instalação de novos equipamentos off-road.

 

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Esse será o primeiro ano em que a Troller terá duas versões disponíveis no Brasil, a T4 e a TX4. A segunda conta com mais itens de série como snorkel, estribos e protetores dianteiro e traseiro, pneus lameiros, acendimento automático dos faróis e faróis auxiliares de LED de longo alcance e a prova d’água.

 

O Troller TX4 já está nas concessionárias e será vendido por R$ 167 mil 350.

 

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Dunlop já produziu mais de 25 milhões de pneus no Brasil

São Paulo — A Dunlop, empresa do Grupo Sumitomo Rubber do Brasil, superou a marca de 25 milhões de pneus produzidos na unidade de Fazenda Rio Grande, PR, onde produz desde 2013. De acordo com a companhia os números cresceram ano a ano e, em 2019, saíram das linhas de produção cerca de 5,7 milhões de unidades.

 

Também no ano passado a Dunlop inaugurou sua fábrica dedicada à produção de pneus para veículos pesados, com investimento de mais de R$ 465 milhões. Ainda em 2019 a empresa expandiu sua rede em torno de 20% na comparação com o ano anterior.

 

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Salão do automóvel alemão deixará Frankfurt

São Paulo – O tradicional Salão Internacional do Automóvel de Frankfurt, Alemanha, realizado nos anos ímpares, trocará de local. A partir de 2021 o Messe Frankfurt, centro de convenções que recebia a mostra alemã, será realizado em outra cidade do País – segundo o site Motor.com estão na briga Berlim, Colônia, Hamburgo, Hannover, Munique e Stuttgart.

 

O anúncio foi feito pela VDA, associação das fabricantes alemãs e uma das promotoras da mostra automotiva. Frankfurt sediou o salão de veículos leves por quase setenta anos mas, no ano passado, recebeu apenas 550 mil visitantes, bem menos dos que os 810 mil de 2017 e os 931 mil de 2015.

 

A realização do salão de veículos comerciais deste ano está confirmada para Hannover.

 

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Iveco vendeu 1,2 mil ônibus para o Caminho da Escola

São Paulo — A Iveco anunciou que venceu licitação para o fornecimento de ônibus escolar para o programa federal Caminho da Escola. Serão entregues pela empresa 1,2 mil unidades de veículos do tipo ORE2, ou Ônibus Escolar Rural Médio, com chassi 10-190.

 

Os chassis dispõem do motor NEF 4 ID de 190 cv da FPT Industrial, com quatro cilindros em linha e sistema SCR de tratamento de emissões. A transmissão é a Eaton FS 6206B, manual de seis marchas.

 

Para Renato Perrotta, gerente de vendas ao governo, a equipe comercial está atenta para as novas demandas nesse tipo de aplicação trabalhando para antecipar tendências que atendam às necessidades do programa.

 

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Meritor investe R$ 200 milhões em nova fábrica em Roseira

São Paulo – Em 21 de março a cidade Roseira, na região do Vale do Paraíba, SP, estará em festa. Além de celebrar seu 55º aniversário, será assentada, em um terreno de 160 mil m² às margens da Via Dutra, a pedra fundamental da terceira fábrica brasileira da Meritor, fabricante de eixos com sede nos Estados Unidos. 

 

O investimento soma R$ 200 milhões, segundo seu diretor geral, Adalberto Momi. A expectativa é a de começar a produzir na unidade em abril do ano que vem, com capacidade para entregar de 2 mil a 8 mil eixos por mês – dependerá da demanda dos clientes.

 

O executivo disse que a escolha de Roseira resultou de trabalho conjunto com a Investe SP, agência ligada ao governo paulista. Fica no meio das duas operações produtivas da Meritor no Brasil: a cerca de 180 quilômetros de Osasco, SP, sede da companhia, e a 110 quilômetros de Resende, RJ, onde participa do consórcio modular da Volkswagen Caminhões e Ônibus.

 

Não há incentivos fiscais: a agência ajudou a mapear cidades candidatas a receber a fábrica e a Prefeitura de Roseira colaborou e deu suporte a diversos projetos. Ainda este ano a empresa deverá começar a treinar funcionários em parceria com a Prefeitura – são estimadas de duzentas a 250 contratações, com preferência a moradores da região.

 

“[A nova fábrica] é um projeto de alguns anos, que foi postergado por causa da recessão no mercado brasileiro de caminhões”, contou Momi. “Não temos mais condições físicas de expandir a produção em Osasco.”

 

O diretor descartou, no médio prazo, fechar a fábrica de Osasco. Segundo ele a operação em Roseira receberá produtos novos do portfólio da Meritor, como os eixos elétricos: “Serão produtos com novas tecnologias, alguns componentes que não conseguíamos nacionalizar por falta de espaço. Agora teremos condições de ampliar nossa gama de produtos e até de elevar as nossas exportações”.

 

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A Meritor fornece eixos para quase todas as fabricantes de caminhões do Brasil – apenas a Scania não recebe seus produtos. É uma das principais fornecedoras da Volkswagen Caminhões e Ônibus e integra o e-Consórcio, o consórcio modular que montará os caminhões e ônibus elétricos da companhia anunciado na Fenatran do ano passado.

 

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Corolla híbrido já representa 40% das vendas do modelo

São Paulo – As vendas da versão Altis com motor híbrido flex do Toyota Corolla, lançado em setembro do ano passado, já representam 40% do mix do modelo, de acordo com o presidente da Toyota do Brasil, Rafael Chang. Só não é mais porque a demanda supera a capacidade de produção do conjunto híbrido flex, importado do Japão.

 

“Mesmo assim conseguimos reduzir a fila de espera para um mês, em média”, afirmou Chang a jornalistas na noite de quarta-feira, 20, em São Paulo. “Nossa meta é reduzir a uma espera média de quinze dias.”

 

Em dezembro foram emplacadas 5,2 mil unidades Corolla, somadas todas as versões, segundo a Fenabrave – no lançamento a projeção da Toyota era chegar a 4,5 mil unidades mensais, com 1 mil híbridas.

 

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