Governo derruba decreto e aumenta área de plantio de cana

São Paulo – O governo federal revogou na quarta-feira, 6, o decreto 6 961/2009 e liberou a expansão da plantação de cana-de-açúcar em áreas da Amazônia e do Pantanal. O decreto é considerado um dos principais fatores que tornou o etanol brasileiro mais competitivo no mercado internacional por representar garantia de origem sustentável.

 

Uma vez derrubado o decreto empresas poderão explorar essas regiões e expandir a produção do etanol. Hoje, segundo dados da Unica, União da Indústria da Cana-de-Açúcar, 1,2% do território nacional é utilizado para o plantio da cana, sendo que, desta fatia, 0,8% se destina ao cultivo para transformação em combustível.

 

Para Evandro Gussi, presidente da entidade, a revogação representa retrocesso: “Esse foi o espírito da revogação do chamado Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar. Esse instrumento, que teve seu papel no passado, ficou justamente lá, um passo atrás, servindo apenas como mais um dos tantos arcabouços burocráticos brasileiros diante da modernidade do Código Florestal”.

 

Estima-se que a área já utilizada para o plantio da cana para produção de etanol seja maior do que a necessária para atender à demanda do combustível. Em um eventual aumento da procura a utilização de pastagens degradadas serviria como alternativa ao plantio em áreas de proteção.

 

Durante a vigência do decreto, que estabeleceu delimitações para plantação de cana, quem produzisse na Amazônia ou no Pantanal não teria acesso a linhas de financiamento no País. Com a queda do decreto cai também a barreira que limitava o acesso ao crédito.

 

Segundo dados da Anfavea, os veículos flex, que utilizam em seus motores tanto a gasolina quando o etanol, representaram 87% das vendas realizadas no acumulado do ano até outubro, chegando a 1 milhão 907 mil 835 unidades. Em setembro dados da ANP, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, indicaram o maior consumo de etanol hidratado em 2019 – 1 bilhão 870 milhões de litros, crescimento de 4,1% na comparação com o volume consumido em mesmo período de 2018.

 

O aumento se reflete na participação do etanol na matriz de combustíveis do ciclo Otto, que atingiu 48,2% em 2019. Trata-se do maior índice desde 2009, quando atingiu 48,4%, no período de janeiro a setembro.

 

No acumulado do ano a expansão do volume atinge 22,8% em comparação com 2018, superando 16,3 bilhões de litros de etanol.

 

Foto: Divulgação.

ABB pega carona nos veículos elétricos

Bérgamo e Dalmine, Itália – Ao dividir seus negócios em quatro unidades distintas – eletrificação, automação industrial, robótica e motores e geradores elétricos – a ABB, multinacional de origem suíço-sueca com sede em Zurique, criou, na prática, quatro empresas sob um mesmo guarda-chuva. A de eletrificação, que no ano passado representou em torno de 45% das vendas da companhia, enxerga na indústria automotiva uma importante parceira para alavancar os negócios.

 

A acelerada que a Europa, especialmente, deu no segmento de veículos elétricos, identificada no último Salão do Automóvel de Frankfurt, Alemanha, onde poucas novidades traziam sob o capô motores a combustão, ampliou a convicção da ABB. Para o presidente da área de eletrificação, Tarak Mehta, as perspectivas são de crescimento médio de 8% ao ano para o segmento – um mercado estimado em US$ 5 bilhões para seus negócios.

 

A ABB fornece, dentre outros produtos, recarregadores para veículos elétricos. No mês passado adquiriu uma concorrente na China, a Chargedot, com o objetivo de ampliar sua atuação no mercado global – em especial o asiático, onde graças aos chineses e suas políticas de incentivo as vendas de carros elétricos já alcançaram grandes volumes.

 

Esta aquisição permitirá à empresa ampliar sua produção global de carregadores. Segundo Mike Mustapha, chefe de negócios globais, o modelo de negócios será o de contratação: terceiros montarão os carregadores ABB, que fornecerá a expertise e tecnologia: “Não faz sentido investir em fábricas para isso. Vamos escolher fornecedores ao redor do mundo e abastecer a demanda global por meio deles”.

 

Nada, ainda, no Brasil – embora o México esteja no radar do executivo para produzir os carregadores. Mustapha argumenta que a frota brasileira de elétricos, ainda na casa das pouco mais das 7 mil unidades, não sustenta um investimento do tipo. Mas tem confiança na eletrificação do mercado brasileiro:

 

“A tendência é a de que o preço do carro elétrico comece a cair com o aumento da escala. E o consumidor perceberá que o uso deste veículo é mais barato do que um modelo a combustão, até por causa da manutenção menos custosa. E quando as pessoas começarem a comprar mais carros elétricos demandarão infraestrutura, que é o que nós fornecemos”.

 

Os resultados por aqui vão bem, de acordo com o executivo: será o segundo ano com crescimento na casa dos dois dígitos, mesmo diante de tantos problemas – e aí entram os outros negócios da área, como prédios inteligentes e digitalização: “É um país importante para nós, porque estamos indo bem. O Brasil é o segundo maior mercado da região depois do México”.

 

Para sustentar os negócios do País e em outros mercados do continente a ABB está investindo na construção de um centro de distribuição em Miami, Florida. Este é hoje, para a companhia, seu mercado mais relevante no negócio de eletrificação – impulsionado pela aquisição, no ano passado, da área de soluções industriais da GE, agora plenamente incorporada.

 

Foto: Divulgação.

Primeiro passo da eletrificação no Brasil será das frotas

Bérgamo e Dalmine, Itália – Na garagem da Hochbahn, empresa que administra o transporte público de Hamburgo, Alemanha, foram instalados 44 carregadores de veículos elétricos da ABB. À noite cada um gera a energia suficiente para que um ônibus elétrico rode 150 quilômetros pela cidade, durante o dia. É um passo importante para os planos da operadora alemã que pretende, até 2030, só dispor de veículos sem emissões e ruídos em sua frota.

 

São parcerias nesse estilo que a ABB busca com agentes, públicos ou privados, para ampliar o alcance dos veículos elétricos no Brasil – e, claro, alavancar os seus negócios no segmento. Para o presidente da unidade de eletrificação, Tarak Mehta, serão os frotistas os primeiros a aderir em peso à tecnologia.

 

“Frotas de taxi, de veículos de entregas, de ônibus ou de caminhões que rodam de 100 a 200 quilômetros por dia, todos os dias, em áreas metropolitanas com muitas frenagens, são os modelos de negócio mais aderentes à eletromobilidade”, afirmou o executivo a jornalistas brasileiros durante o ABB Eletrification Media Day, em Bérgamo e Dalmine, Itália. “Nestes casos não são necessários incentivos do governo para a aquisição do veículo, pois os custos de operação são inferiores aos de veículos a combustão. Os governos devem ajudar apenas com a infraestrutura.”

 

Além dos custos inferiores – não apenas para o abastecimento do veículo, uma vez que o preço da energia no Brasil é inferior ao do diesel e da gasolina, mas também para a manutenção – Mehta destacou a redução de emissões, objetivo traçado por diversas metrópoles, incluindo São Paulo, e a de ruídos: “Quando os elétricos saem às ruas o barulho vai embora”.

 

[IMGADD]

 

No Brasil as iniciativas no segmento ainda engatinham. Mehta afirmou, porém, que a ABB está disposta a colaborar, seja com fornecimento de tecnologia, seja com orientação aos operadores de frotas: “Como participante da indústria estamos tentando colaborar para que o Brasil entre nessa jornada. O País ainda busca políticas para criar a infraestrutura”.

 

Disse, também, que iniciativas como a de Hamburgo podem ser copiadas por cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo. Seria, na sua opinião, uma forma de usar de forma mais inteligente os recursos naturais que o País tem em abundância para gerar energia limpa em toda a cadeia de utilização do veículo elétrico.

 

Fotos: Divulgação.

Banco CNH Industrial capta R$ 500 milhões no mercado de capitais

São Paulo – O Banco CNH Industrial captou R$ 500 milhões na sua terceira emissão de letras financeiras, uma das estratégias usadas pela instituição para acessar de forma recorrente o mercado de capitais. Em comunicado o banco observou que o valor arrecadado será aplicado na concessão de crédito para os clientes de suas marcas – New Holland, New Holland Construction, Case IH, Case Construction, FPT Industrial, Iveco e Iveco Bus.

Vendas de usados cresceram 4% em outubro

São Paulo – As vendas de veículos seminovos e usados cresceram 3,9% em outubro, somando 1 milhão 345 mil 240 transferências, segundo a Fenauto, Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores. No acumulado do ano o saldo é positivo em 2%. se comparado com janeiro a outubro do ano passado.

New Holland inaugura concessionária em Goiás

São Paulo – A New Holland Construction inaugurou na quinta-feira, 7, a Bamaq Máquinas, nova concessionária em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de Goiania. Com 1 mil metros quadrados de área construída oferecerá a linha completa de retroescavadeiras, pás carregadeiras, escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, tratores de esteiras, minicarregadeiras e miniescavadeiras, assim como assistência técnica e outros serviços.

 

O Grupo Bamaq representa marcas da CNH Industrial em Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima.

Reynaldo Contreira assume Wabco América Latina

São Paulo – Reynaldo Contreira assumiu o cargo de diretor presidente da Wabco América Latina, acrescentando novos mercados à sua função anterior, de presidente para a América do Sul. O México, que antes era atendido pela divisão estadunidense, passa, nesta nova estrutura, a fazer parte da operação administrada a partir do Brasil.

 

Segundo comunicado divulgado pela empresa a transição começou há pouco mais de um ano, quando o pós-venda mexicano passou a ser atendido a partir do Brasil. No começo de 2019 as operações OEM também foram agregadas.

 

“Já temos presença em todas as montadoras com operação em território mexicano”, afirmou Contreira, em nota. “Com a estrutura local focada em vendas a ideia é aumentar nossa participação.”

 

No México a Wabco atende a fabricantes de implementos rodoviários por meio de uma unidade industrial e um centro de distribuição.

 

Foto: Divulgação.

Caoa Chery registra novo recorde de vendas

São Paulo – A Caoa Chery bateu um novo recorde mensal ao registrar, em outubro, 2 mil 194 unidades emplacadas – crescimento de 65% sobre o mesmo mês do ano passado e de 18,6% na comparação com setembro.

 

No acumulado do ano, segundo a empresa, foram comercializados 16 mil 104 veículos, aumento de 165% com relação ao mesmo período do ano passado – embora bem abaixo da meta estipulada pelo seu presidente, Márcio Alfonso, de 27 mil unidades, já revisada para baixo dos 35 mil veículos estimados no fim de 2018.

 

A empresa comemora ter registrado 0,9% de market share em outubro e a sua consolidação na décima-segunda posição no ranking das montadoras do mercado brasileiro.

 

Foto: Divulgação.

Para presidente da Anfavea, PEC apresentada em Brasília é positiva

São Paulo – Durante a coletiva mensal de apresentação do balanço da indústria, na quarta-feira, 6, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos de Moraes, fez observações sobre alguns pontos do pacote econômico apresentado pelo governo federal. De forma genérica, pois ainda é muito cedo para avaliar o conjunto das propostas para um posicionamento mais elaborado, ele disse que o que foi levado ao Congresso Nacional “é positivo”.

 

Em linhas gerais avaliou como correta a direção que o País toma por meio da PEC, a proposta de emenda à Constituição, apresentada pelo governo federal, justamente por “atacar as ineficiências e proporcionar choque de redução de tarifas e abertura de mercado”.

 

Sobre uma das propostas que constam no documento, a da redução de cinco para quatro anos no tempo de revisão de todos os incentivos concedidos pelo governo, Moraes afirmou que é algo que diz respeito a todos os setores da economia: “Essa medida vale para a sociedade, para todos os setores, não só o automotivo. Teremos que trabalhar aqui como nossas empresas fazem lá fora, buscando eficiência em todos os departamentos”.

 

A pauta é sensível ao setor automotivo, que recebeu benefícios fiscais em algumas operações no País e em segmentos específicos da atividade industrial por meio do Rota 2030, a nova política industrial tornada lei no fim do ano passado.

 

Moraes acredita que as discussões no âmbito governamental ainda terão novos capítulos e que os “resultados de tudo isso serão sentidos a partir do segundo semestre do ano que vem”.

 

Foto: Divulgação.

Volvo investe em segurança ativa para vender mais ônibus

Curitiba, PR – A Volvo usou a paisagem de Morretes, cidade localizada no Litoral do Paraná, para apresentar na terça-feira, 4, ao mercado brasileiro, um conjunto completo de recursos de segurança ativa que, em teoria, contribuirão de forma decisiva na operação dos seus ônibus rodoviários sob o ponto de vista do apoio aos motoristas e da melhora nas condições de operação. Batizado de SSA este pacote de tecnologias foi desenvolvido inicialmente para ser utilizado em ônibus rodoviários com três funções principais: aviso de colisão frontal com frenagem de emergência, aviso de mudança de faixa e piloto automático adaptativo.

 

Outra tecnologia que foi apresentada no ano passado, para o segmento de urbanos, e que, a partir de agora, passou a estar disponível de forma regular também para todos os ônibus rodoviários Volvo, é o controle automático de velocidade. Trata-se de recurso exclusivo que possibilita, por meio da utilização do GPS, identificar com precisão onde o veículo está circulando e controlar automaticamente sua velocidade em áreas consideradas como críticas, como curvas perigosas, dentro de terminais de passageiros etc., independente da ação do motorista.

 

Este novo pacote SSA será oferecido a princípio somente para ônibus novos e estará disponível para as configurações de chassis 4×2, 6×2 e 8×2 com motor traseiro. Será comercializado como opcional, agregando um custo de R$ 25 mil ao preço final dos veículos.

 

“O SSA é um conjunto completo de recursos de segurança ativa”, afirmou Gilcarlo Prosdócimo, gerente de engenharia de vendas da Volvo Buses Latin América, “que contribui de forma decisiva para que a Volvo possa continuar cumprindo sua missão de chegar ao futuro com índice de acidente o mais próximo possível do zero.”

 

Segundo ele o aviso de colisão frontal com frenagem de emergência é dotado de radar e câmara para monitorar veículos e obstáculos à frente. O motorista recebe um sinal sonoro e visual em caso de perigo e, se não diminuir a velocidade, o sistema faz uma pré-frenagem e, se necessário, uma frenagem total de emergência.

 

Já o aviso de mudança de faixa é tecnologia que entra em ação quando o veículo passa sobre as faixas da pista tanto à esquerda como à direita sem ligar as setas. O sistema emite sinal sonoro e faz vibrar o assento do motorista no lado em que o veículo está virando. O piloto automático adaptativo, por sua vez, permite que o ônibus possa manter distância segura previamente definida pelo condutor com relação ao veículo que está à sua frente.

 

Segundo Paulo Arabian, diretor de vendas de ônibus da Volvo Buses no Brasil, a empresa trabalha com uma estimativa de que, inicialmente, o SSA equipará cerca de 5% do volume total de vendas de seus ônibus rodoviários já a partir de 2020: “Tenho a certeza de que este sistema de segurança será bem aceito e evoluirá de forma rápida. Por isso acredito que ultrapassaremos este volume de 5% em pouco tempo”.

 

O novo pacote de segurança já fez sua estreia em dois ônibus no mercado brasileiro. O primeiro foi adquirido pela Transacácia, empresa de fretamento localizada em Maringá, PR, que faz rotas de turismo de longo percurso no Brasil e no Mercosul, e o segundo está sendo entregue para a Pedra Azul, do Espírito Santo, que também é especializada no transporte turístico de passageiros.

 

Foto: Divulgação.