São Paulo – O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, orgulha-se dos acordos costurados com a BYD desde que a companhia iniciou operação na cidade baiana, em outubro do ano passado. Contou a Agência AutoData que a jornada de trabalho já começou abaixo das 44 horas semanais: hoje em escala 5×2 totaliza 42 horas semanais. Com a entrada em vigor do terceiro turno, aguardada pelo sindicato para o quarto trimestre, a partir de outubro, a ideia é baixar para 40 horas semanais.
“Para efeito de comparação, demoramos nove anos na Ford para reduzir a carga horária para 40 horas semanais. É preciso dizer que em questões mais complexas avançamos mais rápido com a BYD do que com a Ford”, contou, referindo-se ao período em que a montadora iniciou sua operação na Bahia, no início dos anos 2000.
Em julho, data-base da categoria, terá início a negociação de PLR, participação nos lucros e resultados, assim como correção da inflação e ganho real, cujo porcentual ainda não foi desenhado. “No ano passado conseguimos negociar, com apenas três meses de operação, abono de R$ 2,7 mil. Além disso corrigimos os salários em 28,2% de algumas funções, em torno de oitocentos funcionários que ganhavam R$ 1 mil 860 passaram a receber R$ 2,5 mil.”
O próximo passo, de acordo com o sindicalista, é melhorar a base do vencimento de operadores logísticos, de empilhadeira, de qualidade e líderes manutencistas de R$ 2,3 mil para R$ 2,9 mil.
Cerca de 400 funcionários em Camaçari são chineses
Hoje a BYD emprega aproximadamente 2 mil profissionais em Camaçari, sendo 1,5 mil no chão de fábrica, quatrocentos no administrativo e, o restante, em serviços de manutenção. Em torno de cem funcionários, dos 1,5 mil do operacional, são chineses que desempenham as posições de supervisores, coordenadores, líderes e gerentes.
No administrativo esta proporção cresce, e cerca de trezentos dos quatrocentos são chineses, estimou Bonfim. “Eles têm contrato internacional com a BYD China. Existe muito preconceito com o fato de haver esta quantidade de funcionários chineses. Quando a Ford veio para cá também havia profissionais de fora, mexicanos, estadunidenses, paulistas, mineiros, mas ninguém falava nada. É natural que haja este intercâmbio no estabelecimento de uma nova operação.”
O sindicalista tem a ideia de buscar incorporar alguns trabalhadores chineses na chapa do sindicato a fim de fazer com que participem mais ativamente das questões trabalhistas, mas, para tanto, os contratos teriam de estar vinculados à operação baiana: “É um plano que tenho. Quem sabe dá certo e, assim, faremos uma integração completa”.
Procurada, a BYD não confirmou as informações do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari e disse “que fará os anúncios quando houver novidades”.